UN-SEP PORTUGUESE 2026

NESTA EDIÇÃO

Tópicos Especiais

Kevin Sanders, DMA, ACC

Fundador, Cornerstone

Leadership Group, EUA

Destaque de Liderança

Professor Muthanna G.

Abdul Razzaq, Presidente

e CEO, American

University in the Emirates,

EAU

Perspectivas Acadêmicas

Laura Salesa Amarante,

Pesquisadora de

Doutorado, University

of Cantabria, Espanha

Perspectivas da Indústria

Dr. Ashraf Mahate,

Consultor, Comitê da ONU

sobre Comércio e

Desenvolvimento

(UNCTAD)

Conselho Consultivo

Acadêmico, Studiosity, EAU

Foco Regional

Dra. Murni Winarsih, M.Pd.

e Mayasari Manar, M.Pd.

Departamento de

Educação

Especial, Universitas

Negeri Jakarta, Indonésia

Volume 12

Setembro de 2026

Além da Graduação

Tópicos Especiais

Como os ex-alunos internacionais

estão transformando o ensino superior global

Fardin Sanai, Vice-Presidente de Desenvolvimento Universitário e

Diretor Executivo - The University at Albany Foundation, EUA

Multilingual Global Exclusive

Multilingual Global Exclusive

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Cada edição reúne vozes de diferentes setores da educação superior, desta-

cando iniciativas institucionais, perspectivas de liderança e tendências emer-

gentes na educação internacional.

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Mohammed Hettini

Equipe Editorial:

Dra. Elizabeth Wallace

Dra. Katherine Wilson

Perspectivas Acadêmicas

26

Viajando por Meio de Histórias: O Consumo de Experiências e a Ascensão

do Turismo Cinematográfico

Laura Salesa Amarante, Pesquisadora de Doutorado, University of Can-

tabria, Espanha

Tópicos Especiais

A Força dos Ex-Alunos Internacionais: O Motor Oculto do Ensino Superior

Global — MATÉRIA DE CAPA

Fardin Sanai, Vice-Presidente de Desenvolvimento Universitário e

Diretor Executivo da The University at Albany Foundation

Capacidade Coletiva: O que os Desafios de Hoje Exigem de um Campus

Kevin Sanders, DMA, ACC, Fundador, Cornerstone Leadership Group

06

Foco Regional

Além do Acesso: Construindo Experiências para Estudantes com

Deficiência no Ensino Superior da Indonésia

Dra. Murni Winarsih, M.Pd. & Mayasari Manar, M.Pd. Departamento de

Educação Especial, Universitas Negeri Jakarta, Indonésia

38

Destaque de Liderança

Construindo Universidades, Construindo Nações

Uma conversa com o Professor Muthanna G. Abdul Razzaq, Presidente e

CEO da American University in the Emirates

20

Editorial

Bem-vindos à UniNewsletter

Equipe Editorial

04

Sumário

Perspectivas da Indústria

32

Repensando o Ensino Superior: Insights de Liderança na Linha de Frente

da Mudança

Dr. Ashraf Mahate, Consultor, UN Trade and Development (UNCTAD);

Conselho Consultivo Acadêmico, Studiosity; Apresentador: Podcast

Reimagining Higher Education

03

Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global |

Um diploma costuma ser visto como uma

linha de chegada. Esta edição de setembro de

2026 da UniNewsletter defende justamente o

contrário. A matéria de capa desta edição,

“Além da graduação: como ex-alunos inter-

nacionais estão transformando o ensino

superior global, é assinada por Fardin Sanai,

Vice-Presidente de Avanço Universitário e

Diretor Executivo da University at Albany Foun-

dation. Ele participa da nossa seção Tópicos

Especiais. Ao resgatar os vínculos de sua insti-

tuição com estudantes internacionais desde

Bem-vindos à

UniNewsletter:

Equipe Editorial

Editorial

Editorial

1877, Sanai defende que os ex-alunos não são

beneficiários passivos da educação, e sim os

recrutadores mais confiáveis de uma universi-

dade, seus mais convincentes embaixadores

no exterior e uma fonte de apoio filantrópico

que a maioria das instituições apenas

começou a explorar.

Também na seção Tópicos Especiais, o Dr.

Kevin Sanders, fundador do Cornerstone

Leadership Group e editor de The Academic

Leader’s Playbook, aborda um problema que

todo líder universitário reconhece: a reunião

que se prolonga por meses sem chegar a uma

decisão. Usando como estudo de caso a corri-

da para elaborar políticas sobre IA, Sanders

mostra, em “Capacidade Coletiva: o que os

desafios de hoje exigem de um campus”, que

o obstáculo geralmente não é a falta de ideias,

e sim a ausência de mecanismos compartil-

hados capazes de transformar consenso em

ação.

Nossa entrevista na seção Destaque de Lide-

rança traz o Professor Muthanna G. Abdul

Razzaq, Presidente e CEO da American Univer-

sity in the Emirates. Ao longo de uma carreira

dedicada à fundação da Abu Dhabi University,

em 1999, da AUE, em 2005, e da American

University in Kurdistan, em 2012, o Professor

Abdul Razzaq construiu não uma, mas três

instituições do zero. Em “Construindo universi-

dades, construindo nações”, ele resume essa

experiência em cinco princípios orientadores,

dentre os quais se destaca sua convicção de

que “as pessoas são mais importantes do que

os processos”.

Em Perspectivas Acadêmicas, Laura Salesa

04 | Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global

Editorial

Editorial

Amarante, pesquisadora de doutorado da

University of Cantabria, na Espanha, questiona

por que uma série da Netflix consegue fazer

algo que décadas de campanhas de turismo

não conseguiram: levar viajantes a uma

esquina específica anos depois de as câme-

ras terem ido embora. “Viajando por meio de

histórias: o consumo de experiências e a

ascensão do turismo cinematográfico” vai

além das pesquisas já conhecidas sobre a

imagem dos destinos e chega a uma questão

mais precisa: por que alguns locais de filma-

gem se transformam em destinos de peregri-

nação duradouros, enquanto a maioria é

esquecida em apenas uma temporada. Na

seção Perspectivas da Insústria, escreve o Dr.

Ashraf Mahate, consultor da Conferência das

Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvi-

mento (UNCTAD) e apresentador do podcast

Reimagining Higher Education (Reimaginando

a Educação Superior). Com base em conver-

sas com líderes universitários do Golfo, da Abu

Dhabi University, RIT Dubai, AURAK, Hamdan Bin

Mohammed Smart University e Bahrain Polyte-

chnic, Mahate enfrenta uma questão que

poucas instituições conseguiram responder:

se a IA pode produzir uma redação nota

máxima em menos de um minuto, o que uma

universidade está avaliando agora? Seus

05

entrevistados concordam que o setor precisa

deixar de avaliar apenas a redação pronta e

passar a examinar como o processo de pen-

samento por trás dela se desenvolve.

Para encerrar, na seção Foco Regional, a Dra.

Murni Winarsih e Mayasari Manar, do Departa-

mento de Educação Especial da Universitas

Negeri Jakarta, nos levam às salas de aula

digitais em rápida transformação da Indoné-

sia. “Além do Acesso: Construindo Experiências

para Estudantes com Deficiência no Ensino

Superior da Indonésia” contesta a ideia de que

a acessibilidade seja um recurso acrescenta-

do depois que uma plataforma já foi construí-

da. Fundamentando-se no Desenho Universal

para a Aprendizagem e em suas próprias

entrevistas com estudantes surdos e com

deficiência visual, elas argumentam que até

mesmo a tecnologia mais sofisticada fracas-

sa quando não é concebida, desde o início,

tendo em mente todos os estudantes.

Agradecemos a todos os nossos colaborado-

res pela profundidade e pela franqueza de

seus trabalhos nesta edição e esperamos,

como sempre, que eles deixem algo que vocês

possam aproveitar em suas próprias conver-

sas.

Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global |

Fardin Sanai,

Vice-Presidente de Avanço Universitário e Diretor Executivo da The

University at Albany Foundation

| Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global

06

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

MATÉRIA DE CAPA

“A formatura não é o fim

da relação de um

estudante com uma

universidade. Em muitos

casos, é o início de uma

parceria muito mais

longa."

“A formatura não é o fim da relação de um

estudante com uma universidade. Em

muitos casos, é o início de uma parceria

muito mais longa.”

Os ex-alunos internacionais são muitas

vezes vistos apenas como beneficiários da

educação oferecida por uma universidade.

Na verdade, eles se tornam um dos ativos

estratégicos de longo prazo mais valiosos da

instituição. Em meu trabalho com ex-alunos

internacionais, testemunhei relações que

começaram em uma sala de aula se trans-

formarem em parcerias de pesquisa, redes

de recrutamento, apoio filantrópico e até

conexões diplomáticas. A formatura não é o

fim da relação de um aluno com uma

universidade. Em muitos casos, é o início de

uma parceria muito mais longa.

O retorno sobre o investimento de uma

universidade em estudantes internacionais

vai muito além da sala de aula, gerando

décadas de impacto institucional, econômi-

co, diplomático e social.

Os graduados retornam a mais de 150 países

levando consigo não apenas seus diplomas,

mas também a reputação, os valores e as

aspirações de sua alma mater. Cada ex-alu-

no ou ex-aluna internacional bem-sucedido

fortalece a marca global da universidade,

muitas vezes de maneira muito mais eficaz

do que as campanhas tradicionais de mar-

keting. Sua influência cresce por meio de seu

trabalho e de seus relacionamentos profis-

Poder dos Alumni

Internacionais:

O Motor Escondido da Educação

Superior Global

O Motor Escondido da Educação

Superior Global

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

07

Presidente Havidán Rodríguez com o ex-aluno da

UAlbany Omar M. Yaghi ’85, ganhador do Prêmio Nobel

de Química de 2025

Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global |

sionais. Quando os ex-alunos permanecem

conectados à universidade, eles frequente-

mente apresentam a instituição a novas

comunidades, parceiros e estudantes.

A University at Albany testemunha esse

impacto há quase 150 anos. Fundada em

1844, o primeiro aluno internacional recebido

pela instituição foi Sensaburo Kudzo, do

Japão, que se formou em 1877. Ao retornar ao

seu país, Kudzo tornou-se uma liderança no

movimento das Escolas Normais do Japão,

ajudando a moldar a formação de profes-

sores e deixando um legado duradouro no

sistema educacional do país. Sua história

marcou o início de uma tradição extraor-

dinária.

Desde então, a University at Albany formou

milhares de estudantes internacionais que se

tornaram líderes no governo, na academia,

no mundo dos negócios e no serviço público.

Suas conquistas nos lembram que o verda-

deiro impacto da educação internacional

não é medido simplesmente pelos diplomas

concedidos, mas pelas vidas transformadas

e pela influência global que essas pessoas

passam a exercer.

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

Ex-alunos internacionais: os recrutadores

mais confiáveis da universidade

Talvez em nenhum outro aspecto a influência

dos

ex-alunos

internacionais

seja

tão

evidente

quanto

no

recrutamento

de

estudantes. Os ex-alunos estão entre os

defensores mais confiáveis e persuasivos de

uma universidade. Na University at Albany,

temos visto o quanto os futuros estudantes e

suas famílias valorizam conversar com

ex-alunos de seus próprios países.

Nossos ex-alunos organizam regularmente

eventos de recrutamento em seus países de

origem, orientam futuros estudantes e atuam

voluntariamente como embaixadores de

admissão.

Suas

experiências

autênticas

oferecem um nível de credibilidade que nen-

huma campanha de marketing consegue

reproduzir.

Também

observamos

que

ex-alunos engajados ajudam a aumentar a

confiança dos pais, que muitas vezes confi-

am mais nos conselhos de graduados de seu

próprio

país

do

que

na

publicidade

institucional.

08

Suas conquistas nos

lembram que o verdadeiro

impacto da educação

internacional não é

medido simplesmente

pelos diplomas

concedidos, mas pelas

vidas transformadas e

pela influência global que

essas pessoas passam a

exercer.

Michael

Christakis,

Vice-Presidente

de

Assuntos

Estudantis e Matrículas (à direita), e o Embaixador

Savva, Embaixador da República de Chipre nos Estados

Unidos (à esquerda)

| Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

“ Na minha

experiência, os

relacionamentos

mais sólidos com

os ex-alunos não

são construídos

por meio de

pedidos de doação.

Eles são

construídos ao

longo de anos de

comunicação,

reconhecimento e

envolvimento

genuíno.”

Os ex-alunos internacionais e o futuro da

filantropia universitária

Uma das contribuições mais significativas –

e frequentemente subestimadas – dos

ex-alunos internacionais é seu papel cada

vez maior na filantropia universitária. Embora

a captação de recursos tradicionalmente

tenha se concentrado nos graduados nacio-

nais, as universidades reconhecem cada vez

mais que os ex-alunos internacionais repre-

sentam uma fonte importante e ainda pouco

explorada de apoio filantrópico e parcerias

estratégicas. À medida que os ex-alunos

constroem

carreiras

de

destaque

e

assumem posições de liderança nos negóci-

os, no governo, na academia e no setor sem

fins lucrativos, muitos buscam maneiras

significativas de retribuir às instituições que

ajudaram a moldar suas vidas.

A filantropia de ex-alunos internacionais vai

muito além de contribuições financeiras. Ela

reflete gratidão, confiança e um compromis-

so para toda a vida com a ampliação das

oportunidades educacionais para as futuras

gerações. Sua generosidade apoia bolsas de

estudo, pesquisas e programas que ampli-

am as oportunidades para os estudantes.

Muitos criam bolsas destinadas a

09

Encontro de ex-alunos da University at Albany em Xangai

Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global |

estudantes de seus países de origem, con-

struindo legados duradouros e, ao mesmo

tempo, abrindo portas para que as futuras

gerações tenham a mesma experiência

educacional transformadora.

Construir uma cultura de filantropia inter-

nacional exige um envolvimento contínuo.

Na minha experiência, os relacionamentos

mais sólidos com os ex-alunos não são con-

struídos por meio de pedidos de doação. Eles

são construídos ao longo de anos de comu-

nicação, reconhecimento e envolvimento

genuíno. Ao envolver os estudantes internac-

ionais antes da formatura, manter os víncu-

los ao longo de suas carreiras, reconhecer

suas conquistas e criar oportunidades para

que

continuem

participando

da

vida

institucional, as universidades cultivam um

sentimento duradouro de pertencimento

que muitas vezes inspira futuras con-

tribuições.

O impacto dos ex-alunos internacionais

talvez seja mais visível por meio de doações

de alto valor. No ensino superior em todo o

mundo, alguns dos investimentos filantrópi-

cos mais transformadores vieram de grad-

uados

internacionais

que

se

tornaram

líderes empresariais globais, empreende-

dores, médicos, cientistas, inovadores e serv-

idores públicos. Sua generosidade financiou

prédios acadêmicos, centros de pesquisa,

institutos de políticas públicas, centros de

inovação, cátedras acadêmicas, bolsas de

estudo e programas interdisciplinares que

beneficiam os estudantes, promovem o

avanço da pesquisa e enfrentam os desafios

mais urgentes da sociedade.

A University at Albany vivenciou isso na práti-

ca. Uma de nossas mais prestigiadas séries

de palestras acadêmicas, financiada por

uma dotação permanente, foi criada graças

à generosidade do Dr. Seung Park, ex-Ministro

da Construção e Governador do Banco da

Coreia, em homenagem a seu professor e

mentor, Dr. Pong Lee. A doação do Dr. Park

não apenas celebra a influência duradoura

de um educador excepcional, mas também

garante que futuras gerações de estudantes

e pesquisadores continuem se beneficiando

do intercâmbio intelectual e de perspectivas

globais.

O Dr. Park é um entre muitos ex-alunos inter-

nacionais que continuam fortalecendo a

Universidade de maneiras significativas. Para

além da filantropia, esses ex-alunos invest-

em seu tempo, conhecimento, liderança e

redes profissionais para orientar estudantes,

promover colaborações internacionais de

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

10

Encontro de Ação de Graças na casa do presidente com estudantes internacionais

| Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global

pesquisa, criar oportunidades de estágio e

carreira e abrir portas para parcerias ao

redor do mundo. Seu envolvimento demon-

stra que o valor dos ex-alunos internacionais

vai muito além do apoio financeiro. Trata-se

de um investimento duradouro na missão da

instituição, em suas pessoas e em seu futuro.

Ex-alunos internacionais: promovendo a

diplomacia e o soft power

Talvez uma das contribuições mais significa-

tivas (embora frequentemente negligencia-

“ Em um mundo

cada vez mais

interconectado, as

universidades já

não são apenas

instituições de

ensino superior: são

arquitetas de

relações globais.”

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

11

da) dos ex-alunos internacionais seja seu

papel na promoção da diplomacia e no

fortalecimento do soft power de um país. Os

estudantes retornam aos seus países de

origem levando consigo muito mais do que

um diploma; levam relacionamentos dura-

douros e uma compreensão mais profunda

da cultura, dos valores, das instituições e das

pessoas do país que os recebeu. Essas

experiências muitas vezes se tornam a base

para relações de boa vontade e colabo-

ração internacional ao longo de toda a vida.

A história está repleta de alunos internacion-

ais que mais tarde se tornaram presidentes,

primeiros-ministros, ministros de Estado,

embaixadores, presidentes de bancos cen-

trais, ministros de tribunais superiores, líderes

militares, executivos empresariais e dirigen-

tes de organizações internacionais. Embora

atuem em defesa dos interesses de seus

próprios países, muitos mantêm ao longo da

vida um profundo reconhecimento pelas

universidades que moldaram sua formação

e sua visão de mundo.

Esses ex-alunos frequentemente facilitam

intercâmbios

acadêmicos,

colaborações

científicas, missões comerciais, iniciativas

culturais e diálogos entre governos. Eles

aproximam líderes universitários de formu-

ladores de políticas públicas, criam opor-

Encontro de Ação de Graças na casa do presidente com estudantes internacionais

Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global |

“O valor mais

profundo surge com

o tempo, à medida

que os ex-alunos se

tornam mentores,

parceiros,

defensores e

amigos da

instituição.”

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

tunidades de intercâmbio para professores e

estudantes e ajudam a estabelecer parceri-

as que beneficiam tanto as instituições

quanto os países envolvidos.

Um dos exemplos significativos da University

at Albany oferece é seu ex-aluno Evangelos

Savva, Embaixador da República de Chipre

nos Estados Unidos. Ao longo de sua destac-

ada carreira diplomática ele desempenhou

um papel de liderança em iniciativas

humanitárias e de desenvolvimento inter-

nacional, refletindo tanto o impacto global

de uma formação na University at Albany

quanto o compromisso da Universidade em

preparar líderes para atuar no serviço inter-

nacional.

Para as universidades, esses relacionamen-

tos representam uma poderosa forma de

soft power institucional. Sua influência é

medida não apenas pela excelência em

pesquisa ou pelas classificações acadêmi-

cas, mas também pelas conquistas e pela

liderança global de seus graduados. Cada

ex-aluno que alcança uma posição de

influência fortalece a reputação internacion-

al da instituição e amplia seu alcance global.

Reconhecendo esse valor estratégico, países

como França, Reino Unido e Canadá estabe-

leceram redes internacionais de ex-alunos

para manter o relacionamento com gradua-

dos que estudaram no exterior. A Organ-

ização para a Cooperação e Desenvolvi-

mento Econômico (OCDE) observou que

essas iniciativas fortalecem, no longo prazo,

os

vínculos

diplomáticos,

econômicos,

científicos e culturais, demonstrando que os

ex-alunos internacionais são ativos nacion-

ais duradouros, e não simplesmente um

subproduto dos intercâmbios educacionais.

Em um mundo cada vez mais interconecta-

do, as universidades já não são apenas insti-

tuições de ensino superior: são arquitetas de

relações globais. Seus ex-alunos internacio-

nais tornam-se embaixadores para toda a

vida, promovendo confiança, ampliando a

cooperação e fortalecendo os vínculos entre

países. Poucos legados do ensino superior

são tão duradouros ou têm consequências

tão significativas.

Um envolvimento significativo com os

ex-alunos começa muito antes da formatu-

ra

Um

envolvimento

significativo

com

os

ex-alunos começa muito antes de os

estudantes se formarem. Na University at

Albany,

acreditamos

que

esses

relacionamentos

duradouros

são

construídos

a

partir

da

qualidade

da

experiência

estudantil.

Temos

grande

orgulho de promover um campus acolhedor

e inclusivo, que verdadeiramente se torna

um lar longe de casa para estudantes de

todas as partes do mundo.

A internacionalização é um dos cinco pilares

do plano estratégico da Universidade, e o

Presidente

Havidán

Rodríguez

fez

do

aprimoramento

da

experiência

dos

estudantes internacionais uma prioridade

pessoal. Seu compromisso vai muito além

das políticas institucionais, e inclui desde

oferecer anualmente jantares de Ação de

Graças

em

sua

própria

casa

para

estudantes

internacionais

até

celebrar

tradições culturais como o Diwali ao lado dos

estudantes e de sua família.

12

| Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global

Esse compromisso talvez tenha ficado mais

evidente durante a pandemia de COVID-19.

Sob a liderança do Presidente Rodríguez, a

Universidade

manteve

os

alojamentos

estudantis abertos para aqueles que não

tinham outro lugar para ir, especialmente os

estudantes internacionais que não podiam

retornar aos seus países de origem. Com o

apoio

de

professores,

funcionários

e

voluntários,

esses

estudantes

permaneceram

seguros,

conectados

e

amparados durante um dos períodos mais

desafiadores da história recente.

Atos de compaixão e inclusão deixam uma

impressão duradoura. Eles fortalecem o

sentimento

de

pertencimento

dos

estudantes, criam uma lealdade duradoura

entre os futuros ex-alunos e suas famílias e

reforçam a reputação da Universidade como

uma comunidade que realmente se importa

com seus estudantes. Essas experiências se

tornam a base para um envolvimento, uma

defesa da instituição, parcerias e apoio

filantrópico que podem durar toda a vida.

Um imperativo estratégico para o ensino

superior

À medida que o ensino superior se torna

cada vez mais global, as universidades

precisam repensar o papel dos ex-alunos

internacionais, não como o capítulo final da

experiência estudantil, mas como parceiros

para toda a vida na promoção da excelência

institucional, na expansão do envolvimento

global e na construção do futuro do ensino

superior.

O modelo tradicional tem sido:

Recrutar → Educar → Formar

Hoje, uma universidade global deve adotar

uma visão mais abrangente:

Recrutar → Educar → Envolver → Conectar →

Estabelecer parcerias → Investir → Contribuir →

Liderar

As universidades frequentemente medem a

educação

internacional

por

meio

de

indicadores como matrículas, formaturas e

resultados profissionais. Essas medidas são

importantes, mas só capturam o início do

relacionamento. O valor mais profundo

surge com o tempo, à medida que os

ex-alunos se tornam mentores, parceiros,

defensores e amigos da instituição. As

universidades que compreenderem isso não

se limitarão a manter bancos de dados de

ex-alunos. Elas construirão comunidades

globais.

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Tópicos Especiais

13

Evento de ex-alunos da University at Albany na Coreia, organizado pela Reitora Carol Kim (fila central).

Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global |

| Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global

14

Dr. Kevin Sanders, DMA, ACC

Fundador, Cornerstone Leadership Group

Editor da newsletter The Academic Leader's Playbook

Tópicos Especiais

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Além da Graduação: Como os Ex-Alunos Internacionais Estão Transformando o Ensino Superior Global |

“Líderes capacitados

e dispostos a

colaborar se reúnem

para tomar uma

decisão importante.

Várias unidades

estão

representadas;

todos querem chegar

a uma decisão.

Então, os meses

passam. O grupo

amplia as consultas,

circula uma nova

versão do

documento e marca

uma reunião de

acompanhamento.

Quando algo

finalmente é

publicado, o

problema já mudou.”

Toda instituição onde trabalhei tem uma

versão do mesmo cronograma de reuniões…

Líderes capacitados e dispostos a colaborar

se reúnem para tomar uma decisão impor-

tante. Várias unidades estão representadas;

todos querem chegar a uma decisão. Então,

os meses passam. O grupo amplia as con-

sultas, circula uma nova versão do docu-

mento e marca uma reunião de acompan-

hamento. Quando algo finalmente é publi-

cado, o problema já mudou.

Eu presidi essas reuniões. Mais de uma vez,

fui o motivo de elas se prolongarem. Colo-

camos a culpa no ritmo do campus ou na

cultura acadêmica. Dizemos que esse é o

preço da governança compartilhada. Mas

como tomar uma decisão quando o desafio

é maior do que um único departamento?

O

desafio

de

desenvolver

políticas

institucionais

Observe o que está acontecendo agora com

as políticas de IA. Instituições de todos os

lugares estão formando grupos de trabalho,

embora professores e estudantes já utilizem

essas ferramentas há mais de dois anos.

Raramente, a elaboração de uma política de

IA é a parte mais difícil. A maioria dos líderes

universitários já sabe o que a política precisa

dizer. O que eles estão esperando é o

restante da instituição: quais departamentos

contribuirão com pessoas, tempo e orça-

mento? O que acontecerá com os profes-

sores que construíram suas carreiras com

base em um modelo de ensino que a política

Capacidade coletiva:

Tópicos Especiais

Tópicos Especiais

O que os desafios de hoje exigem

de um campus

15

Tópicos Especiais

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“Usando uma

abordagem

colaborativa, o

grupo se reúne em

setembro e chega a

uma decisão em três

semanas porque, já

na primeira reunião,

enfrenta

diretamente as

questões mais

difíceis, em vez de

esperar que elas

venham à tona no

quinto mês.”

vai modificar? E com que rapidez é razoável

pedir que as pessoas se adaptem? Mais

importante ainda: deveríamos usar IA?

Nenhuma

dessas

perguntas

pode

ser

respondida por uma só pessoa. Nenhum

departamento pode ser o único responsável

pela decisão. A responsabilidade compartil-

hada é agora necessária para resolver os

problemas que mais importam, e a capaci-

dade coletiva é o que um grupo precisa para

enfrentá-los. No entanto, poucos de nós

fomos preparados para trabalhar de forma

colaborativa.

O que um campus obtém sem colaboração

A mesma ausência de colaboração que

pode travar uma política de IA também

inviabiliza o trabalho interdisciplinar em

muitos campi. Celebramos o ensino interdis-

ciplinar no plano estratégico e, depois,

descobrimos que ninguém consegue chegar

a um acordo sobre qual orçamento paga o

professor, qual departamento recebe o

reconhecimento ou como a pesquisa e o

ensino compartilhados serão contabilizados

na carga de trabalho. O diagnóstico de John

Kotter sobre grandes organizações se aplica

perfeitamente a esse cenário. As hierarquias

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“A capacidade

coletiva exige cinco

coisas, e a maior

parte delas é definida

antes mesmo de as

conversas difíceis

começarem: definir o

que significa sucesso,

decidir quem será

responsável,

formular o problema,

ouvir as objeções e

começar com

pequenos passos.”

foram construídas para administrar a organ-

ização, não para absorver mudanças con-

stantes, e sua resposta não é desmontar a

hierarquia, mas criar uma segunda forma de

trabalho que funcione ao lado dela. As ideias

nunca foram o obstáculo. O desafio sempre

foi criar os mecanismos necessários para

colocar essas ideias em prática.

Os riscos estão aumentando. Grandes finan-

ciadores querem cada vez mais propostas

de consórcios que envolvam várias facul-

dades e, muitas vezes, várias instituições, o

que significa que estão exigindo justamente

o tipo de colaboração que nossos mecanis-

mos dificultam. Um campus capaz de tomar

decisões entre diferentes departamentos

consegue montar essa proposta antes do

prazo. Também consegue dizer sim aos par-

ceiros da indústria dentro dos prazos deles,

em vez de perder oportunidades para univer-

sidades que respondem mais rapidamente.

Isso levanta uma questão ainda mais difícil:

quem constrói a capacidade coletiva?

Alcançando resultados por meio da capaci-

dade coletiva

Agora, imagine que esse mesmo planeja-

mento da política de IA seja conduzido de

outra maneira. Usando uma abordagem

colaborativa, o grupo se reúne em setembro

e chega a uma decisão em três semanas

porque, já na primeira reunião, enfrenta dire-

tamente as questões mais difíceis, em vez de

esperar que elas venham à tona no quinto

mês.

Nesse cenário, os responsáveis pela decisão

discutiram logo no início a questão dos

recursos: quais departamentos contribuiri-

am com pessoas e orçamento e quais ativi-

dades

esses

departamentos

poderiam

deixar de fazer para criar capacidade. Eles

definiram o que a mudança significaria para

os professores cujo ensino seria afetado e

trataram isso como um custo real, em vez de

contornar as questões políticas envolvidas

na decisão. Separaram a questão de saber

se a mudança deveria ser implementada da

questão de como ela seria implementada.

Decidiram por um ritmo que as pessoas con-

seguiriam absorver, e então mantiveram

esse ritmo. Conversas difíceis, mas sem

disputas territoriais.

Observe o que falta. Ninguém concordou

com tudo, mas o grupo não estava buscan-

do consenso. Encontrou uma maneira de

usar sua capacidade coletiva para continuar

avançando, sem fingir que todos concorda-

vam com tudo.

Passos para construir a capacidade coleti-

va

Então, do que um grupo realmente precisa

para colaborar na busca de soluções? A

capacidade coletiva exige cinco coisas, e a

maior parte delas é definida antes mesmo de

as conversas difíceis começarem: definir o

que significa sucesso, decidir quem será

responsável, formular o problema, ouvir as

objeções e começar com pequenos passos.

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Concordem sobre o que é o sucesso.

Pergunte separadamente a cada pessoa

da sua equipe de liderança o que faria

deste um bom ano. Se você receber

respostas diferentes, é preciso chegar a

um acordo antes de seguir em frente.

Defina por escrito quem é responsável.-

Documente qual parte de uma decisão

pertence a qual departamento, quem

pode dizer não e em relação a quê, e o

que acontece quando dois departamen-

tos dizem não um ao outro. Rogers e

Blenko descobriram que as organizações

travam com mais frequência por causa

de uma autoridade mal definida do que

por causa de decisões equivocadas. No

ambiente

universitário,

muitas

vezes

interpretamos isso como resistência. Ger-

almente, não é. As pessoas simplesmente

não conseguem saber se cabe a elas

tomar aquela decisão.

Formule o problema em uma única

frase. Os grupos discutem soluções

muito antes de chegarem a um acordo

sobre qual é o problema. Edmondson e

Harvey descobriram que grupos forma-

dos por profissionais de diferentes áreas

geralmente fracassam não por falta de

competência ou boa vontade, mas

porque cada um chega com sua própria

“A

capacidade

coletiva é

construída por

quem convoca

o próximo

grupo e toma

as cinco

medidas para

desenvolvê-la

antes da

primeira

reunião.”

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Aqui estão algumas estratégias para colocar

esses cinco passos em prática:

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linguagem e suas próprias expectativas.

Discutir o problema mostra onde está a

verdadeira divergência, e uma formu-

lação clara do problema ajuda o grupo a

seguir em frente.

Crie espaço para que alguém perca a

discussão. Em qualquer decisão que

realmente valha a pena, alguém terá que

abrir mão de alguma coisa. Se essa

pessoa não sentir que foi ouvida, normal-

mente não vai enfrentar a decisão do

grupo durante a reunião. Ela se cala,

devolve o documento atrasado e levanta

uma nova preocupação quatro meses

depois. O grupo precisa de uma maneira

de ouvir a objeção de antemão, tomar a

decisão mesmo assim e permitir que

essa pessoa preserve sua dignidade.

Pratique com algo pequeno. A maioria

dos grupos universitários só se reúne

quando os riscos são altos, o que significa

que cada decisão difícil também é a

primeira vez que aquele grupo tenta

decidir algo em conjunto. Comece por

uma questão de baixo risco. Um grupo

que já trabalhou de forma colaborativa

uma vez terá um método a seguir. Um

grupo que nunca fez isso estará tentando

pela primeira vez justamente quando os

riscos forem maiores.

Quem constrói a capacidade coletiva?

Ninguém

pode

simplesmente

atribuir

capacidade coletiva a alguém. Não existe

um departamento responsável por isso, nem

uma seção do plano estratégico que

mencione o assunto. Isso ficará evidente se

você abrir o orçamento de desenvolvimento

profissional e dividi-lo em duas colunas:

dinheiro

gasto

no

desenvolvimento

de

indivíduos e dinheiro gasto para melhorar a

forma como os grupos trabalham juntos. Na

maioria dos lugares, a segunda coluna está

praticamente vazia. Portanto, a capacidade

coletiva é construída por quem convoca o

próximo grupo e toma as cinco medidas

para

desenvolvê-la

antes

da

primeira

reunião.

Toda instituição está desenvolvendo líderes o

tempo todo. A única questão é: para fazer o

quê eles estão sendo preparados? Cada

comitê mal conduzido ensina deferência,

proteção de território e a esperar que outra

pessoa tome a iniciativa primeiro. As pessoas

ficam boas nessas coisas e, depois, são

promovidas.

No entanto, grandes equipes podem surgir a

partir da decisão de uma única pessoa.

Então, se essa pessoa for você, comece por

um número. Some o total de horas que sua

instituição leva para tomar uma decisão que

envolva três departamentos. Esse número

prevê o quão bem você lidará com a próxima

década, e quase ninguém jamais o calcula.

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Professor Muthanna G.

Abdul Razzaq, Presidente e CEO da

American University in the Emirates

Destaque de Liderança

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