UN-MARCH-2026-PORTUGUES

Multilingual Global Exclusive

NESTA EDIÇÃO

Tópicos Especiais

Dawn Henwood, PhD

Clarity Connect Inc., Canadá

Karolina Kastsiuchenka

Mississippi State University,

EUA

Destaque de Liderança

Professor Francisco

Marmolejo, Presidente de

Ensino Superior, Qatar

Foundation

Professor Bassam

Alameddine,

Presidente, AURAK, EAU

Tendências

Professor Christopher Hill,

Canadian University in Dubai,

EAU

Perspectivas da Indústria

Natalia Czajkowska,

Swiss Academy for

Leadership

and Sustainability (SALS)

Foco Regional

Professor Huseyin Atakan

Varol

e Aigerim Sarsenova,

Nazarbayev University,

Cazaquistão

Volume 10

Março 2026

Testemunhando o Ensino

Superior Global em Ação:

Destaque de Liderança

Reflexões sobre Liderança,

Internacionalização e Impacto Social

Professor Francisco Marmolejo, Presidente de

Ensino Superior, Qatar Foundation

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

02

Sumário

Editorial

Bem-vindos à UniNewsletter

Laura Vasquez Bass

Editora-chefe

04

Tópicos Especiais

Tornando o impacto da pesquisa mais

do que um slogan: uma abordagem

humanista para a mobilização do

conhecimento

Dawn Henwood, PhD, Fundadora,

Clarity Connect Inc., Canadá

08

Foco Regional

Do laboratório à sociedade: como as

universidades podem construir IA

generativa com impacto público real

Professor Huseyin Atakan Varol (Diretor

Fundador) e Aigerim Sarsenova

(Gerente Sênior de Relações Externas),

Institute of Smart Systems and Artificial

Intelligence (ISSAI) Nazarbayev

University, Cazaquistão

42

Tópicos Especiais

Estudantes internacionais no campus:

visíveis, mas não representados

Karolina Kastsiuchenka, Doutoranda em

Liderança no Ensino Superior, Coorde-

nadora de Programas, Mississippi State

University, Estados Unidos (EUA)

14

Destaque de

Liderança

Testemunhando o Ensino Superior global

em ação: reflexões sobre liderança,

internacionalização e impacto social

Entrevista com o Professor Francisco

Marmolejo, Presidente de Ensino Superi-

or, Qatar Foundation, Qatar

18

Destaque de

Liderança

Formação para a vida acadêmica,

industrial e cívica em um mundo

multipolar na AURAK

Entrevista com o Professor Bassam

Alameddine, Presidente, American

University of Ras Al Khaimah, Emirados

Árabes Unidos (EAU)

24

Tendências

“Fortalezas tradicionais estão

desaparecendo”: a predominância do

Ensino Superior Internacional na Região

do Golfo

Professor Christopher Hill, Vice-Presiden-

te de Engajamento Global, Canadian

University in Dubai, Emirados Árabes

Unidos (EAU)

32

Perspectivas

da Indústria

O futuro do poder é feminino:

conquiste seu lugar à mesa

Natalia Czajkowska, Presidente

Fundadora, Swiss Academy for

Leadership and Sustainability (SALS)

36

MATÉRIA DE CAPA

Página 17

Página 30

Página 47

Todos nós vemos e

celebramos o impacto

dos estudantes

internacionais na vida do

campus. Mas ser visto é

suficiente? Descubra

como as universidades

podem ajudar os

estudantes

internacionais a serem

verdadeiramente

representados.

06

| Balancing Tradition and Transformation: Place and the Future of Universities

Dra. Laura Vasquez Bass

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

04

Bem-vindos à

UniNewsletter

N o t a d a E d i t o r a - c h e f e

05

Laura Vasquez Bass

EDITORIAL

Editora-chefe

Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social |

06

Bem-vindos à

UniNewsletter:

Esta primeira edição de 2026 da UniN-

ewsletter dá continuidade, em certa

medida, a uma conversa que iniciamos

no nosso último número, em dezembro

de 2025. A matéria de capa daquela

edição foi uma entrevista com a Dra.

Fanta Aw, Diretora Executiva e CEO da

NAFSA: Associação de Educadores Inter-

nacionais, na qual ela discutiu a inter-

nacionalização a partir de seus parâmet-

ros e alcances em transformação no

contexto atual. Os autores cujos artigos

compõem esta edição abordam, cada

um à sua maneira, questões relaciona-

das às (i)mobilidades globais e aos

caminhos da produção de conhecimen-

to, bem como às formas pelas quais

precisamos nos adaptar ativamente

diante dessas mudanças rápidas. Como

escreve o professor Francisco Marmolejo,

Presidente de Ensino Superior da Qatar

Foundation, no Qatar, no título do artigo

de capa desta edição, trata-se de uma

mudança em ação – um processo que

ainda está em curso. Como também

apontam os autores, esta é uma conver-

sa sobre ética e impacto social: como o

conhecimento produzido no ensino supe-

rior é utilizado? Quem detém o poder de

colocá-lo em prática – e onde? E quem

tem acesso a ele? Seja ao tratar de IA,

mulheres na indústria, mobilização do

conhecimento,

representação

de

estudantes internacionais no campus ou

recrutamento internacional, cada autor se

envolve, de alguma forma, com essas

questões centrais que hoje permeiam o

ensino superior.

Dawn Henwood, PhD, fundadora da Clarity

Connect Inc., abre esta edição na seção

Tópicos Especiais. Ex-pesquisadora da

área de literatura, a Dra. Henwood analisa

o campo da mobilização do conhecimen-

to à luz da IA, questionando narrativas

institucionais que colocam a expertise

técnica como o principal requisito para

esse trabalho. À medida que as universi-

dades precisam fortalecer suas propostas

de valor e ampliar o alcance de suas

pesquisas para além dos campi, ela argu-

menta que pesquisadores formados nas

humanidades

oferecem

competências

essenciais, centradas no humano, para

liderar projetos de impacto – competên-

cias que as universidades ainda não

valorizam plenamente nem utilizam de

forma estratégica.

Karolina Kastsiuchenka, doutoranda em

Liderança em Ensino Superior e Coordena-

dora de Programas na Mississippi State

University, nos EUA, também assina um

excelente artigo apresentado na seção

Tópicos Especiais. A autora analisa a

lacuna entre a visibilidade dos estudantes

internacionais no campus e sua ausência

nas estruturas formais de governança

estudantil. Ela argumenta que diferenças

culturais e o apoio institucional desigual

fazem com que muitos estudantes inter-

nacionais se sintam despreparados para

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

07

assumir papéis representativos, e defende a

criação de programas específicos de mentoria e

de trajetórias de liderança para enfrentar esse

desequilíbrio.

Seguindo para a seção Destaque de Liderança,

apresentamos nossa matéria de capa com o Dr.

Marmolejo. Nesta entrevista, ele reflete sobre

liderança, internacionalização e as responsabili-

dades em constante transformação do ensino

superior em um cenário global cada vez mais

interconectado. A partir de sua ampla experiên-

cia em diferentes regiões e instituições, o Dr. Mar-

molejo enfatiza, em especial, como as universi-

dades podem – e devem – transformar o enga-

jamento global em impacto social significativo, à

medida que a internacionalização continua a

mudar tanto em prática quanto em propósito.

Temos ainda o privilégio de destacar dois líderes

de renome nesta edição, sendo o segundo o pro-

fessor Bassam Alameddine, presidente da Amer-

ican University of Ras al Khaimah (AURAK), nos

Emirados Árabes Unidos (EAU). Nesta entrevista,

o professor Bassam Alameddine reflete sobre

como as universidades podem equilibrar uma

visão global com a responsabilidade em relação

aos contextos locais e regionais em um mundo

multipolar. Com base na missão e no posiciona-

mento da AURAK, ele discute de que forma as

instituições de ensino superior podem preparar

seus graduados não apenas para mercados de

trabalho em transformação, mas também para

o engajamento cívico e a contribuição social

dentro das comunidades que atendem.

Também escrevendo a partir dos Emirados

Árabes, o professor Christopher Hill, vice-presi-

dente de Engajamento Global da Canadian

University in Dubai, contribui com um artigo

brilhante e extremamente oportuno para nossa

seção Tendências. Como já destacado por

outros colaboradores da UniNewsletter, o pro-

fessor Hill observa que, em suas palavras, os

“redutos tradicionais [do recrutamento inter-

nacional de estudantes] estão perdendo força”,

enquanto regiões como o Golfo despontam

como novos polos de interesse para estudantes

internacionais. O autor analisa como essa

mudança geográfica tem se configurado e

apresenta reflexões sobre como o ensino superi-

or internacional na região do Golfo tende a

evoluir nos próximos anos.

Na seção Perspectivas da Indústria, contamos

com a contribuição de Natalia Czajkowska,

presidente fundadora da Swiss Academy for

Leadership and Sustainability (SALS). Como

mulher

atuante

na

indústria,

Czajkowska

escreve com paixão sobre a necessidade de as

mulheres se tornarem arquitetas da mudança

neste momento de decisões críticas. Seu artigo

aborda, de forma ampla, temas como paz, mer-

cados financeiros, tecnologia, sustentabilidade,

entre outros, defendendo que mulheres profis-

sionais assumam seu espaço e promovam as

transformações urgentes de que o futuro preci-

sa. No centro dessa estratégia está o modelo

adotado pela SALS, no qual mulheres em

posições de liderança formam outras mulheres

para se tornarem suas sucessoras, garantindo,

assim, a continuidade da presença feminina em

cargos de poder.

Com foco em IA generativa, a seção Foco

Regional traz contribuições do professor Huseyin

Atakan Varol e de Aigerim Sarsenova, respecti-

vamente Diretor Fundador e Gerente Sênior de

Relações Externas do Institute of Smart Systems

and Artificial Intelligence (ISSAI) da Nazarbayev

University, no Cazaquistão. Eles analisam uma

questão de enorme relevância: como as univer-

sidades podem levar a inovação em IA do labo-

ratório para a sociedade em geral. Utilizando o

trabalho do ISSAI como estudo de caso, os

autores demonstram, por exemplo, como o

treinamento de sistemas de IA em línguas locais

pode ancorar o desenvolvimento tecnológico

nas necessidades regionais, gerando valor

público concreto e impacto social.

Temos muito orgulho de apresentar esta

coletânea de artigos importantes, relevantes e

atuais para sua apreciação. Esperamos, como

sempre, que eles despertem novos pontos de

conexão

e

promovam

conversas

ricas

e

significativas.

Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social |

08

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

TÓPICOS ESPECIAIS

Dawn Henwood, PhD

Fundadora, Clarity Connect Inc., Canadá

uma abordagem humanista para a

mobilização do conhecimento

No Canadá, onde praticamente todas as

universidades são financiadas com recursos

públicos,

pesquisadores

enfrentam

uma

pressão crescente para demonstrar aos

financiadores governamentais e aos con-

tribuintes o valor prático de seu trabalho.

Atualmente, a maioria dos programas de

fomento federais e provinciais exige que as

propostas de pesquisa incluam um plano de

“mobilização do conhecimento”. Cada vez

mais, não basta que um projeto tenha mérito

acadêmico; ele também precisa demonstrar

potencial para gerar resultados tangíveis,

com benefícios econômicos, sociais ou ambi-

entais.

Apesar dos incentivos incorporados aos pro-

gramas de financiamento, a mobilização do

conhecimento continua sendo mais um

slogan do que uma prática amplamente

disseminada. É hora de repensar o que real-

mente é necessário para levar o conheci-

mento científico do processo de revisão por

pares para a “vida real” — e o tipo de talento

exigido para isso. Para transformar a ciência

em impacto, precisamos olhar além da

expertise científica em si e dos profissionais

formados exclusivamente nas áreas científi-

cas.

A lacuna de talentos na mobilização do con-

hecimento

Para viabilizar a mobilização do conhecimen-

to, muitas universidades passaram a con-

tratar uma nova categoria de administra-

dores — os chamados mobilizadores profis-

sionais do conhecimento. O papel desses

profissionais é comunicar a pesquisa para

além da torre de marfim da academia e

estimular sua aplicação prática.

Em teoria, contar com um mobilizador de

conhecimento dedicado deveria permitir que

as equipes de pesquisa avançassem rapida-

mente em seus objetivos de impacto. Na

“É hora de repensar o que

realmente é necessário para

levar o conhecimento

científico do processo de

revisão por pares para a “vida

real” — e o tipo de talento

exigido para isso. Para

transformar a ciência em

impacto, precisamos olhar

além da expertise científica

em si e dos profissionais

formados exclusivamente nas

áreas científicas.”

Tornando o impacto da pesquisa

mais do que um slogan:

09

Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social |

Ao contrário do que

muitos anúncios de

emprego sugerem, a

mobilização do

conhecimento envolve

muito mais do que

simplesmente traduzir

pesquisas em resumos

em linguagem simples ou

compartilhar dados nas

redes sociais. Embora

atividades básicas de

comunicação científica

possam ajudar a

aumentar a visibilidade

de um tema de pesquisa,

elas não fazem com que

tomadores de decisão

utilizem esse

conhecimento para

formular políticas

públicas ou criar produtos

inovadores.

10

prática, porém, a mobilização do conhecimento

exige um conjunto diverso de competências que

vai muito além da formação de muitos desses

profissionais.

Em um artigo de referência, pesquisadores

britânicos e canadenses identificaram 11 categori-

as distintas de “competências de impacto”

necessárias para a mobilização do conhecimen-

to. Em sua maioria, elas envolvem habilidades não

científicas, como gestão da mudança, comuni-

cação, facilitação, negociação, liderança, gestão

de projetos, engajamento e gestão de partes

interessadas e desenvolvimento de capacidades.

A lista é tão extensa que chega a ser difícil imagi-

nar uma única pessoa reunindo todas essas com-

petências. Ainda assim, restrições orçamentárias

fazem com que muitas organizações de pesquisa

consigam contratar apenas um profissional para

a área de mobilização do conhecimento. Como

cientistas tendem a contratar outros cientistas —

muitas vezes recém-formados em programas de

mestrado ou doutorado — muitos dos chamados

mobilizadores profissionais do conhecimento

acabam não possuindo o conjunto completo de

habilidades

necessárias

para

desempenhar

plenamente suas funções.

Por que precisamos de mais perfis em T do que

em I

Basta buscar vagas de “mobilização do conheci-

mento” no LinkedIn para perceber um padrão nas

descrições de cargo. A maioria das organizações

de pesquisa procura contratar profissionais em

formato de I – pessoas com um conjunto de habil-

idades baseado em conhecimento profundo, ou

vertical, de uma área específica. Por exemplo, um

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

linguagem simples ou compartilhar dados nas

redes sociais. Embora atividades básicas de

comunicação científica possam ajudar a

aumentar a visibilidade de um tema de pesqui-

sa, elas não fazem com que tomadores de

decisão utilizem esse conhecimento para

formular políticas públicas ou criar produtos

inovadores.

A verdadeira mobilização do conhecimento

acontece por meio de atividades intencionais —

e muitas vezes intensivas — de construção de

relacionamentos. Isso inclui, por exemplo, even-

tos comunitários, parcerias com organizações

da sociedade civil e reuniões (muitas reuniões)

com formuladores de políticas públicas e

outros tomadores de decisão.

Enquanto alguém com formação científica

“Se queremos acelerar o

fluxo da pesquisa da

academia para a prática,

por que não contratar

profissionais que já

cheguem preparados,

com as competências

críticas para a missão?”

11

instituto de pesquisa dedicado à biologia

marinha provavelmente anunciará uma vaga

para um biólogo marinho e descartará candi-

datos com formação em bioquímica.

Esse foco no conhecimento disciplinar ignora a

necessidade de profissionais com competên-

cias mais amplas — pessoas com perfil em T, e

não em I. Trata-se de indivíduos que combi-

nam um nível adequado de conhecimento

vertical com um conjunto de habilidades hori-

zontais e adaptáveis. A “barra superior” do T

permite que transitem por diferentes áreas e

situações com desenvoltura.

Ao contrário do que muitos anúncios de

emprego sugerem, a mobilização do conheci-

mento envolve muito mais do que simples-

mente traduzir pesquisas em resumos em

Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social |

pode atuar de forma competente em um papel

mais restrito de comunicação científica –

desde que permaneça dentro de sua especiali-

dade – esse profissional geralmente carece das

habilidades humanas que diferenciam um

perfil em I de um perfil em T. Sua formação

acadêmica lhe confere um vocabulário preciso

e um profundo entendimento metodológico,

mas costuma deixar lacunas na compreensão

de como as pessoas funcionam, de como

navegar situações sociais delicadas e de como

acessar e influenciar indivíduos inseridos em

sistemas complexos.

É verdade que muitos mobilizadores profission-

ais do conhecimento com formação científica

desenvolvem sensibilidade social ao longo da

experiência. No entanto, se queremos acelerar o

fluxo da pesquisa da academia para a prática,

por que não contratar profissionais que já

cheguem preparados, com as competências

críticas para a missão?

Ajuda vinda das humanidades

Na mobilização do conhecimento, assim como

em tantas outras áreas, a IA vem sendo apre-

sentada como a resposta para muitas inefi-

ciências. De fato, tecnologias emergentes

podem apoiar diversos aspectos desse proces-

so: acelerar etapas de pesquisa de base,

automatizar redações de baixo nível e rotinei-

ras, auxiliar em design gráfico, edição de vídeo

e otimizar processos administrativos.

O que a IA não fará, porém, é resolver a lacuna

de talentos criada pela contratação de profis-

sionais com perfil em I para liderar iniciativas de

mobilização do conhecimento. Para mobilizar o

conhecimento de verdade, precisamos de mais

do que as ferramentas mais recentes. Precis-

amos de pessoas capazes de mobilizar pes-

soas.

Embora

estudiosos

tenham

desenvolvido

dezenas de teorias, modelos e estruturas para

explicar como a mobilização do conhecimento

poderia ou deveria funcionar, nenhum diagra-

ma organizado consegue capturar a complexi-

dade do processo à medida que ele realmente

acontece. No momento em que as pessoas

entram em cena, as linhas retas começam a

oscilar e os caminhos claramente definidos se

tornam nebulosos.

São exatamente essas as condições em que

profissionais formados nas humanidades se

“Embora estudiosos

tenham desenvolvido

dezenas de teorias,

modelos e estruturas para

explicar como a

mobilização do

conhecimento poderia ou

deveria funcionar,

nenhum diagrama

organizado consegue

capturar a complexidade

do processo à medida que

ele realmente acontece.

No momento em que as

pessoas entram em cena,

as linhas retas começam

a oscilar e os caminhos

claramente definidos se

tornam nebulosos.”

12

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

destacam – algo bem representado nas famo-

sas palavras do poema “Jabberwocky”, de

Lewis Carroll:

Vistas por uma lente científica, para falantes de

inglês, essas palavras (se é que podemos

chamá-las assim) parecem puro nonsense.

Para uma mente treinada a apreciar e navegar

ambiguidades artísticas, no entanto, elas

fazem perfeito sentido. Por meio de formas

linguísticas não convencionais, o poema trans-

mite a experiência de entrar em um mundo

misterioso e ameaçador. O fato de a linguagem

não poder ser decodificada sílaba por sílaba

não significa que não possamos acessá-la ou

interpretá-la.

Grande parte do processo de mobilização do

conhecimento — que varia de uma situação

nebulosa para outra — se assemelha a abrir

caminho em meio ao desconhecido. Para lider-

ar esse percurso, precisamos de mobilizadores

do conhecimento capazes de atuar sem GPS,

profissionais que recorram a outras formas de

atribuir sentido à realidade.

Não estou falando de ferramentas antigas,

como sextantes, mas das habilidades refinadas

desenvolvidas por meio do estudo das humani-

dades, como letras, filosofia, música, história da

arte, línguas modernas, estudos clássicos e

ciência política. A formação acadêmica nessas

áreas aprimora a alfabetização em pesquisa e

desenvolve competências como percepção

social, comunicação interpessoal, narrativa,

persuasão, resolução de problemas, pensam-

ento crítico, pensamento criativo, pensamento

estratégico, reflexão e metacognição — a

“Como ex-pesquisadora de

literatura do século XIX, converti

minhas habilidades das

humanidades em consultoria em

comunicação para pesquisadores

de uma ampla variedade de áreas,

da IA às ciências veterinárias. Se

quisermos levar a sério a

aceleração da mobilização do

conhecimento, precisamos criar

mais oportunidades para que

outros humanistas contribuam

com essa causa.”

13

’Twas brillig, and the slithy toves

Did gyre and gimble in the wabe:

All mimsy were the borogoves,

And the mome raths outgrabe.

capacidade de pensar criticamente sobre os

próprios processos de pensamento.

Para encontrar esse talento em formato de T, as

organizações de pesquisa não precisam sair

em busca de um unicórnio — o cientista raro

que reúne tanto profundo conhecimento técni-

co quanto habilidades humanas sofisticadas.

Basta olhar para as áreas das humanidades,

que têm uma longa tradição no desenvolvi-

mento

dessas

competências

horizontais,

incluindo a capacidade de compreender ideias

complexas em diferentes campos do conheci-

mento.

Como ex-pesquisadora de literatura do século

XIX, converti minhas habilidades das humani-

dades em consultoria em comunicação para

pesquisadores de uma ampla variedade de

áreas, da IA às ciências veterinárias. Se quiser-

mos levar a sério a aceleração da mobilização

do conhecimento, precisamos criar mais opor-

tunidades para que outros humanistas con-

tribuam com essa causa.

No Canadá e em outros países, a mobilização

do conhecimento deixou de ser um “algo a

mais” desejável e passou a ser uma exigência.

À medida que os problemas do mundo se

tornam mais complexos e urgentes, espera-se

que pesquisadores apresentem orientações e

soluções inovadoras. Para que isso aconteça,

não podemos depender apenas de cientistas

ou de ferramentas baseadas em IA para mobi-

lizar a pesquisa. Precisamos de talentos em

formato de T, capazes de liderar trabalhos mul-

tidimensionais e relacionais — e os formados

em humanidades estão singularmente prepa-

rados para assumir esse papel.

Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social |

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

14

TÓPICOS ESPECIAIS

Por ter sido uma estudante

internacional no passado,

eu entendo que, apesar de

formarem um grupo

grande e vibrante no

campus, os estudantes

internacionais continuam

amplamente ausentes dos

espaços tradicionais de

liderança estudantil não

cultural. E não deveria ser

assim.

Estudantes internacionais

no campus são visíveis,

mas não são representados

Há alguns meses, sentei-me para conversar

com a única estudante internacional que con-

heço que atuou no senado estudantil da

nossa universidade. “Às vezes é difícil ser a

única representante em tantos espaços”, ela

me disse. “Estudantes internacionais costum-

am se concentrar em organizações culturais,

mas somos como qualquer outro estudante.

Deveríamos ser visíveis no campus. Estou me

formando neste semestre e estou tendo muita

dificuldade em encontrar outro estudante

internacional para assumir meu cargo.” Suas

palavras ficaram comigo — não apenas pela

honestidade e pelos sentimentos pessoais

que carregavam, mas porque apontavam

para uma verdade mais profunda. Por ter sido

uma estudante internacional no passado, eu

entendo que, apesar de formarem um grupo

grande e vibrante no campus, os estudantes

internacionais continuam amplamente aus-

entes dos espaços tradicionais de liderança

estudantil não cultural. E não deveria ser

assim.

Trabalhando

de

perto

com

estudantes

estrangeiros, já vi o enorme orgulho que

demonstram ao apresentar danças tradicion-

ais,

carregar

suas

bandeiras,

organizar

grandes eventos culturais e atuar como mem-

bros executivos de diferentes organizações

culturais ou relacionadas a seus países de

origem. Apesar dessa presença marcante,

eles são quase invisíveis nos principais

espaços de liderança do campus — governo

estudantil, associações estudantis, programas

de acolhimento, mentorias entre pares, vida

grega e outros órgãos que influenciam a

cultura e as políticas universitárias.

Certo dia, decidi dar uma longa caminhada

pelo

campus.

Ao

encontrar

estudantes

estrangeiros, passei a fazer perguntas sobre

seu engajamento e sua relação com organ-

izações não culturais. As respostas mais

frequentes que ouvi foram: “não vamos nos

encaixar”; “não teremos o mesmo apoio que os

estudantes locais”; “falta de representação”;

“diferenças culturais”; “falta de sistemas de

apoio”, entre outras.

Algumas

dessas

respostas

decorrem

de

normas culturais e de diferenças entre institu-

ições educacionais norte-americanas e inter-

nacionais. Muitos alunos estrangeiros vêm de

sistemas educacionais nos quais a liderança é

designada, e não eleita. Falar em público,

questionar normas institucionais ou fazer

campanha por votos pode não parecer con-

fortável — na verdade, pode até soar complet-

amente

deslocado.

No

aspecto

social,

estudantes internacionais também costumam

encontrar

conforto

e

pertencimento

em

organizações culturais, especialmente quando

os espaços mais amplos do campus parecem

pouco acolhedores ou simplesmente descon-

hecidos. Não podemos esquecer, ainda, das

restrições de visto: estudantes internacionais

Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social | 15

Karolina Kastsiuchenka

Doutoranda em Liderança em Ensino Superior

Coordenadora de Programas

Mississippi State University

Estados Unidos (EUA)

só podem trabalhar até 20 horas por semana

no campus. Alguns cargos de liderança ofere-

cem bolsas ou envolvem expectativas que

podem entrar em conflito com essas exigên-

cias. Embora oportunidades de liderança

remuneradas sejam uma excelente forma de

estudantes domésticos se sustentarem, elas

podem representar um peso para a comuni-

dade internacional. Por fim, no que diz respeito

à mentoria e à orientação acadêmica, muitos

estudantes domésticos são conduzidos a

cargos

de

liderança

por

meio

de

recomendações de professores, incentivo

“Já convivi com estudantes

internacionais extremamente

brilhantes, motivados e

competentes, que realizam

trabalhos incríveis. Vi esses

estudantes planejarem,

organizarem e executarem eventos

e programas de grande porte para

suas organizações culturais,

assumindo posições de liderança,

apoiando seus membros e

resolvendo desafios logísticos com

criatividade e resiliência. Essas são

exatamente as qualidades que

buscamos em líderes estudantis de

organizações não culturais; ainda

assim, muitos estudantes

internacionais não se veem como

qualificados para liderar esse tipo

de organização. O que é ainda mais

preocupante: eles podem não sentir

que pertencem a esses espaços.”

precoce de orientadores ou pela influência de

amigos que já ocupam essas posições.

Estudantes internacionais raramente se bene-

ficiam desses caminhos — quando têm

acesso a eles. É menos provável que sejam

convidados a participar e mais provável que

sejam ignorados.

Como alguém que trabalha diretamente com

líderes estudantis e organizações estudantis,

já convivi com alunos internacionais extrema-

mente brilhantes, motivados e competentes,

que realizam trabalhos incríveis. Vi esses

estudantes planejarem, organizarem e execu-

tarem eventos e programas de grande porte

para suas organizações culturais, assumindo

posições de liderança, apoiando seus mem-

bros e resolvendo desafios logísticos com

criatividade e resiliência. Essas são exata-

mente as qualidades que buscamos em

líderes

estudantis

de

organizações

não

culturais; ainda assim, muitos estudantes

internacionais não se veem como qualificados

para liderar esse tipo de organização. O que é

ainda mais preocupante: eles podem não

sentir que pertencem a esses espaços.

Em conversas com estudantes de fora, apren-

di que muitos acreditam que as organizações

não culturais são exclusivas para estudantes

locais. Isso pode ocorrer porque ninguém os

incentivou ou os convidou a participar e a

colocar seu nome, metaforicamente, na

disputa por uma posição de liderança. No

entanto, já vi estudantes internacionais pros-

perarem em ambientes nos quais recebem

um convite — especialmente quando alguém

investe tempo de forma intencional para

explicar coisas simples que podem parecer

óbvias para estudantes locais. Quando deix-

amos de investir no potencial de liderança dos

16

| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

regras de campanha e materiais promocionais

norte-americanos que podem ser alienantes

ou pouco claros para estudantes que não

estão

familiarizados

com

esses

códigos

culturais),

estudantes

internacionais

não

encontram dificuldades para participar e se

engajar nesses processos dentro de organ-

izações culturais. No entanto, programas de

orientação, escritórios de aconselhamento e

setores de assuntos estudantis raramente vão

além de encorajar estudantes internacionais a

“se envolverem”. Isso não se traduz em ação se

não vier acompanhado de explicações claras,

intenções genuínas e convites diretos. Com

frequência, a mensagem recebida é: “Sim, você

é bem-vindo a essa oportunidade de liderança,

desde que já saiba como liderar.” Em alguns

casos, estudantes internacionais são convida-

dos e incentivados a contribuir com sua cultura

para o campus, mas não com sua voz na

definição de políticas ou programas institucio-

nais.

A solução, portanto, é bastante direta. Se quer-

emos criar campi verdadeiramente inclusivos

para estudantes internacionais, precisamos ir

além do simples incentivo para que eles “se

envolvam” e, em vez disso, ajudá-los de forma

intencional a construir caminhos que elevem

sua liderança. Isso começa por repensar como

definimos e estruturamos a liderança. Progra-

mas de governo estudantil e de formação de

líderes devem considerar de que maneira seus

formatos podem, inadvertidamente, excluir

estudantes de diferentes origens culturais ou

linguísticas. Em segundo lugar, é fundamental

capacitar professores, orientadores e profissio-

nais de assuntos estudantis para identificar e

apoiar ativamente estudantes internacionais

que demonstrem potencial. Esses estudantes

geralmente se destacam em nossas salas de

aula ou escritórios; eles apenas precisam de

um pouco de direcionamento. Em terceiro

lugar, mentoria. Conectar estudantes internac-

ionais a colegas ou mentores profissionais que

compreendam suas experiências e desafios,

expliquem a cultura do campus e atuem como

apoiadores pode fazer uma diferença real em

suas trajetórias.

Quando todos os estudantes têm a chance de

liderar, o campus se beneficia.

“Quando deixamos de investir no

potencial de liderança dos

estudantes internacionais, não

apenas perdemos

representatividade, mas também

abrimos mão de perspectivas

únicas e valiosas, carregadas de

conhecimento cultural e, mais

importante, da oportunidade de

mostrar que nossos campi estão

genuinamente comprometidos com

a dimensão global.”

“Quando todos os estudantes

têm a chance de liderar, o

campus se beneficia.”

estudantes

internacionais,

não

apenas

perdemos representatividade, mas também

abrimos mão de perspectivas únicas e valio-

sas, carregadas de conhecimento cultural e,

mais

importante,

da

oportunidade

de

mostrar que nossos campi estão genuina-

mente comprometidos com a dimensão

global.

As

universidades

costumam

tornar

estudantes internacionais visíveis ao exibir

bandeiras e promover festivais gastronômi-

cos internacionais, eventos culturais e pro-

gramas temáticos. Todas essas iniciativas

são importantes e significativas, mas muitas

vezes resultam apenas em uma repre-

sentação simbólica e superficial no campus.

Elas permitem que estudantes internacionais

expressem seu orgulho cultural, mas limitam

o alcance de suas capacidades de liderança.

Embora programas de liderança e modelos de

governo estudantil sejam fortemente centra-

dos na cultura dos EUA (por exemplo, utilizando

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Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social |

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| Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social

DESTAQUE DE LIDERANÇA

Professor Francisco Marmolejo

Presidente de Ensino Superior,

Qatar Foundation, Qatar

MATÉRIA DE CAPA

Hoje, na Qatar Foundation,

tenho o privilégio de fazer

parte de um ecossistema

único que reúne oito

universidades de

prestígio, formando

estudantes de mais de 120

países em um ambiente

de inovação e

transformação social, na

Education City, em Doha.

Testemunhando o Ensino

Superior Global em Ação:

reflexões sobre liderança, internacionalização

e impacto social

Entrevista com o Professor Francisco Marmolejo, Presidente

de Ensino Superior da Qatar Foundation, Qatar

Entrevista com o Professor Francisco Marmolejo, Presidente

de Ensino Superior da Qatar Foundation, Qatar

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Dr. Marmolejo, muito obrigado por aceitar

conversar com a UniNewsletter hoje. Como

pedimos a todas as nossas lideranças entre-

vistadas,

gostaríamos

que

começasse

traçando um panorama da sua trajetória

profissional até chegar ao seu cargo atual

como Presidente de Ensino Superior da Qatar

Foundation.

Foi uma jornada longa, mas profundamente

gratificante, que começou há mais de quatro

décadas, no México. Recém-formado pela

minha alma mater, a Universidade Autônoma

de San Luis Potosí (UASLP), tive o privilégio de,

ocasionalmente, receber delegações inter-

nacionais que visitavam nossa universidade.

Nesse período, fiquei intrigado com a notável

diversidade de modelos acadêmicos ao redor

do mundo e com os benefícios significativos

da colaboração internacional.

Anos depois, enquanto atuava como Vice-Rei-

tor Acadêmico na Universidad de las Américas,

na Cidade do México, comecei a desenvolver

conexões com universidades e organizações

internacionais

de

ensino

superior.

Esses

esforços acabaram resultando, em 1994, na

minha seleção como o primeiro mexicano a

integrar o programa de Fellows do American

Council on Education (ACE). Em função disso,

minha família e eu nos mudamos para Amh-

erst, Massachusetts, onde acompanhei de

perto David K. Scott, então chanceler da

University of Massachusetts Amherst. Essa

experiência representou uma oportunidade de

aprendizado fundamental, permitindo-me

compreender melhor as complexidades e as

características específicas do sistema de

ensino superior dos EUA a partir de uma

perspectiva comparativa internacional.

Após concluir o fellowship, ingressei na

University of Arizona como diretor de uma

então incipiente rede de colaboração em

ensino superior entre os EUA e o México. Essa

iniciativa acabou levando à criação do Con-

sortium for North American Higher Education

Collaboration (CONAHEC). Dezesseis anos

Testemunhando o Ensino Superior Global em Ação: Reflexões sobre Liderança, Internacionalização e Impacto Social |

A excelência definida

apenas pela qualidade

do ensino não é

suficiente —

especialmente quando

não se traduz em

impacto positivo para a

comunidade ou quando

ignora a

responsabilidade do

ensino superior de

formar não apenas

profissionais

competentes, mas

também estudantes

com um forte senso de

responsabilidade

social.

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depois, quando deixei a University of Arizona, o

CONAHEC já contava com a participação

ativa de mais de 150 faculdades e universi-

dades, principalmente dos EUA Canadá e

México.

Posteriormente, passei a integrar a equipe de

Educação do Banco Mundial como Especialis-

ta Líder em Ensino Superior e Coordenador

Global de sua rede de ensino superior. Nesse

cargo, contribuí para projetos de desenvolvi-

mento do ensino superior em mais de 80

países, incluindo um período de três anos

atuando em Nova Déli, na Índia.

Em síntese, essa trajetória foi extremamente

rica em aprendizados e em oportunidades

extraordinárias de observar o ensino superior

em ação em mais de 100 países. Hoje, na

Qatar Foundation, tenho o privilégio de fazer

parte de um ecossistema único que reúne

oito universidades de prestígio, formando

estudantes de mais de 120 países em um am-

biente de inovação e transformação social,

na Education City, em Doha.

Como o senhor mencionou, sua carreira

passou

por

organizações

multilaterais,

sistemas nacionais e agora por um dos

ecossistemas educacionais mais singulares

do mundo, na Qatar Foundation. Como sua

compreensão do que torna o ensino superior

“transformador” evoluiu ao longo desses

diferentes contextos?

Ver universidades e outras instituições de

ensino superior em funcionamento em tantos

países, e interagir com alunos, professores e

autoridades governamentais, me proporcion-

ou uma oportunidade única de vivenciar, em

primeira mão, aspirações comuns persegui-

das por meio de abordagens diversas. Essas

experiências reforçaram minha convicção de

que sistemas de ensino superior verdadeira-

mente transformadores são aqueles que

priorizam um trabalho com impacto social. A

excelência definida apenas pela qualidade

do ensino não é suficiente — especialmente

quando não se traduz em impacto positivo

para a comunidade ou quando ignora a

responsabilidade do ensino superior de

formar não apenas profissionais compe-

tentes, mas também estudantes com um

forte senso de responsabilidade social.

Essa convicção é a principal razão pela qual

não hesitei quando fui convidado por Sheikha

Moza bint Nasser a integrar sua iniciativa

visionária na Qatar Foundation. Seu mandato

é claro e poderoso: liberar o potencial

humano é um direito fundamental, e nossa

responsabilidade coletiva é viabilizá-lo por

meio de uma educação transformadora e

impactante — uma ideia tão simples quanto

profunda.

Na

nossa

última

entrevista

da

seção

Destaque de Liderança, com a Dra. Fanta Aw,

Diretora Executiva e CEO da NAFSA, falamos

sobre internacionalização — em especial

sobre como seu significado e seus parâmet-

ros precisam evoluir no mundo atual — um

tema sobre o qual o senhor também tem

falado recentemente. O que acredita que as

instituições globais de ensino superior

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