Portugues October 2024

Outubro de 2024

NESTA EDIÇÃO

Edição especial

Tópicos Especiais

Dra. Wendy Kaaki, sobre

alunos dos Emirados Árabes

em programas de negócios

dos EUA

Destaque de Liderança

Entrevista com o Dr. Karim

Seghir, reitor da Universidade

de Ajman

Entrevista com o Professor

Barry O'Mahony Decano da

Escola de Negócios,

Universidade de Abu Dhabi

Foco Regional

Dr. Bilal Ahmad Pandow sobre

Arábia Saudita e Bahrein

Voz do Aluno

Larisa Bukharina,

Universidade Sorbonne Abu

Dhabi

Zainab Ahmed Abdi,

Universidade de Abu Dhabi

Dani George Albadine,

Universidade de Ajman

Ahmed AlAmeeri,

Universidade Sorbonne Abu

Dhabi

Tendências

Universidade de

Westminster sobre IA e

educação empresarial

Contextos locais

em um currículo

global

|Edição Especial

02

Conteúdo

10

19

Editorial

Editora-chefe

Laura Vasquez Bass

04

Tópicos Especiais

Adaptação de padrões

globais para estudantes

dos Emirados Árabes

Unidos em programas

de negócios nos EUA

por Dra. Wendy Kaaki

Destaque de

Liderança

Destaque de

Liderança

Fazendo a excelência na

educação empresarial

acontecer na Universidade

de Ajman: uma entrevista

com o reitor

Dr. Karim Seghir

Equilibrando a visão dos

EAU e uma abordagem

internacional para os

negócios na ADU:

entrevista com o prof.

Barry O’Mahony, Decano

da Escola de Negócios

da ADU

06

05

|Edição Especial

02

Voz do Aluno

Voz do Aluno

Domínio de idiomas e

estratégia de negócios:

como minha

abordagem à aptidão

empresarial destaca a

diversidade linguística

por Ahmed AlAmeeri

31

23

27

Foco Regional

Avanço na educação: Estratégias

da Arábia Saudita e do Bahrein

para enfrentar os desafios do

Século XXI

por Dr. Bilal Ahmad Pandow

Transformando aspirações

empresariais em realidade: Insights do

Programa de Marketing, Gestão,

Comunicação e Mídia (MMCM) da

Universidade Sorbonne Abu Dhabi, EAU

por Larisa Bukharina

Voz do Aluno

“O contexto local molda a

educação empresarial”:

como o programa de

MBA da ADU está me

preparando para iniciar

negócios nos EAU e no

mundo

por Zainab Ahmed Abdi

35

Voz do Aluno

Dos sonhos de Wall

Street à realidade dos

EAU: Finanças e

serviços bancários

islâmicos na

Universidade de Ajman

por Dani George

Albadine

39

Tendências

Com a enorme

transformação da indústria

nos últimos anos, como a

IA está impactando as

pedagogias na educação

empresarial?

Universidade de

Westminster

43

Edição Especial|03

Esta edição se

concentra em

estratégias

pedagógicas

inovadoras

desenvolvidas por

educadores da

área de negócios

Bem-vindos à

UniNewsletter

Após ler os diversos artigos desta primeira

edição especial da UniNewsletter, é difícil

alguém não se sentir animado sobre o futuro da

educação

empresarial,

ou

educação

em

negócios. À medida que os modelos de

educação globalizados se tornam a norma em

Instituições de Ensino Superior (IES), tem havido

um foco crescente na mistura de abordagens

globais e locais na educação empresarial, que

é um território bem explorado pela literatura

sobre o assunto. Nesta edição especial da UniN-

ewsletter,

intitulada

“Personalizando

a

educação empresarial: contextos locais em um

currículo global”, buscamos nos concentrar

especificamente nas estratégias pedagógicas

inovadoras

desenvolvidas

por

educadores

dentro de programas de negócios para ofere-

cer experiências de aprendizagem diferencia-

das e impactantes. Para entregar esses insights

a vocês, leitores, reunimos um grupo internac-

ional de renomados líderes, educadores e

alunos matriculados em programas de negóci-

os para falar de perspectivas regionais, nacion-

ais, institucionais e de sala de aula sobre o

assunto.

Quem abre a edição em nossa seção Tópicos

Especiais é a Dra. Wendy Kaaki, com uma visão

única sobre como os programas de negócios

nos Estados Unidos (EUA) estão adaptando os

padrões globais para atender especificamente

aos alunos internacionais dos Emirados Árabes

Unidos (EAU). A Dra. Kaaki destaca exemplos

como a oferta de cursos sobre finanças Islâmi-

cas da University of Georgia e da American

University, ou o Projeto de Finanças Islâmicas da

Universidade

de

Harvard,

bem

como

os

esforços das universidades para estabelecer

mentores para alunos dos EAU que entendam

sua religião, idioma e cultura.

Laura Vasquez Bass

Nota da Editora-chefe

|Edição Especial

04

Editorial

Em nossa seção Destaque de Liderança, tivemos

o grande privilégio de entrevistar dois líderes

renomados da Universidade de Ajman (AU) e da

Universidade de Abu Dhabi (ADU). Primeiro, apre-

sentamos o Dr. Karim Seghir, reitor da AU, que

conversou

conosco

sobre

as

estratégias

abrangentes da AU para apoiar aos seus alunos

na concretização do lema "Make It Happen"

(“Faça acontecer”). Seus inúmeros exemplos

incluem o lançamento do centro de inovação da

AU, Masar Excellence Center, bem como o fomen-

to da interação entre os setores público e privado

na sala de aula por meio de palestrantes, visitas a

empresas e resolução de problemas da vida real.

Nosso segundo líder em destaque é o professor

Barry O'Mahony, decano da Escola de Negócios

da ADU. O professor O'Mahony nos guia pela

história institucional da ADU, mostrando como,

desde o início, esta instituição moldou sua visão

universitária e curricular a partir de seu contexto

imediato nos Emirados Árabes Unidos, com

ênfase na cultura e tradições islâmicas e árabes.

Ele também narra como a ADU priorizou certifi-

cações internacionais, sendo a única Escola de

Negócios nos Emirados Árabes Unidos com selo

de acreditação EQUIS da Fundação Europeia para

o Desenvolvimento Gerencial, por exemplo.

No Foco Regional desta edição, o Dr. Bilal Ahmad

Pandow discute as abordagens da Arábia Saudi-

ta e do Bahrein para personalizar a educação

empresarial, de forma a adaptá-la para melhor

alinhamento com as metas econômicas locais.

Ele aduz que ambos os países estão se concen-

trando em ir “além do petróleo”, promovendo

campos como tecnologia, empreendedorismo e

sustentabilidade. Por meio de histórias individuais

de estudantes, ele comprova que, ao adaptar os

princípios globais de negócios para atender às

necessidades culturais e econômicas locais,

ambos os países estão garantindo que seus

alunos estejam preparados para o mercado de

trabalho global.

Nesta edição especial, temos o prazer de estrear

a nova seção Voz do Estudante, em que destaca-

mos alguns dos principais talentos estudantis do

mundo. Nesta ocasião, apresentamos quatro

estudantes brilhantes dos Emirados Árabes

Unidos, cada um oferecendo a você suas

perspectivas únicas sobre vários aspectos da

educação empresarial atual. Trazendo peças

complementares para nossas entrevistas de

liderança estão Zainab Ahmed Abdi, aluna do

Mestrado em Administração de Empresas na ADU,

e Dani George Albadine, graduando em Finanças e

Bancos Islâmicos na AU. Também temos o prazer

de compartilhar insights de dois alunos da Univer-

sidade Sorbonne Abu Dhabi; Larisa Bukharina é

uma aluna de mestrado em Marketing, Gestão,

Comunicação e Mídia (MMCM), e Ahmed AlAmeeri

é graduando em Línguas Estrangeiras Aplicadas.

Por fim, com um olhar para o futuro, fechamos esta

edição especial com um artigo em nossa seção

Tendências, escrito por três docentes da Escola de

Administração e Marketing, parte da Escola de

Negócios da Univesidade de Westminster, em

Londres, no Reino Unido. Dentro do contexto da

história da Univesidade de Westminster como

pioneira no desenvolvimento de cursos de comu-

nicação e marketing — a escola foi a primeira na

região a desenvolver um curso de mestrado em

Comunicação e Marketing — e do contexto global

do advento das tecnologias de IA na educação, os

autores questionam: "Com a enorme transfor-

mação da indústria nos últimos anos, como a IA

está impactando as pedagogias na educação

empresarial?” Partindo da reformulação de seu

curso de Comunicação de Marketing como estudo

de caso, a equipe mostra como as pedagogias da

universidade para ensinar os princípios tradicion-

ais de marketing se adaptaram para se alinhar à

tendência da rápida integração de IA na indústria,

com o objetivo de preparar seus alunos para

funções onde ferramentas impulsionadas por IA

são essenciais. A equipe explica que essa reformu-

lação garante que os graduados permaneçam

competitivos em uma indústria em evolução, ao

mesmo tempo em que equilibram a experiência

técnica com a criatividade humana.

Esperamos sinceramente que você aproveite esta

edição especial sobre Educação Empresarial da

UniNewsletter tanto quanto nós gostamos de

trabalhar com todos esses autores. Como sempre,

esperamos que as percepções e questões suscit-

adas por estes talentosos indivíduos estimulem

mais discussões e plantem as sementes para a

colaboração internacional entre instituições.

Edição Especial|05

Adaptando padrões

globais para Estudantes

dos Emirados Árabes

Unidos em Programas

de Negócios nos EUA

Tópicos especiais

Dra. Wendy Kaaki, Ph.D, MA. MBA

Faculdade de Negócios, Universidade Estadual do Novo México, EUA

|Edição Especial

06

medida que a globalização continua a

remodelar a economia mundial, a demanda

por educação que transcenda fronteiras está

aumentando. Nos Estados Unidos, as univer-

sidades estão vendo um número crescente de alunos

internacionais, especialmente dos Emirados Árabes

Unidos (EAU), que buscam diplomas de negócios com a

intenção de retornar para casa após a graduação. Para

esses estudantes, não se trata apenas de adquirir uma

educação; trata-se de se preparar para os desafios e

oportunidades únicos que os aguardam no mercado

do Oriente Médio, pois muitos já estão visando empre-

gos imediatamente após a graduação. Para atender a

essa necessidade, os programas de educação corpo-

rativa nos EUA estão adaptando padrões globais, ao

mesmo tempo em que permanecem sensíveis às

necessidades do mercado local em evolução dos

Emirados Árabes Unidos.

Padrões empresariais globais em um contexto local

O currículo básico da maioria das escolas de negócios

nos EUA segue padrões globais, como aqueles defini-

dos pela Association to Advance Collegiate Schools of

Business (AACSB), que enfatiza uma compreensão

rigorosa de finanças, gestão, marketing, liderança

estratégica,

tecnologia

da

informação,

recursos

humanos e empreendedorismo. No entanto, os alunos

dos Emirados Árabes Unidos enfrentam um conjunto

distinto de expectativas e oportunidades quando retor-

nam para casa, onde o cenário empresarial é influen-

ciado por uma mistura de valores culturais tradicionais

e uma economia em rápida modernização. Isso requer

uma educação que equilibre o conhecimento global

em negócios e a compreensão do ambiente social,

econômico e regulatório do mercado local.

Uma das principais adaptações pedagógicas feitas

pelos educadores é a incorporação de estudos de caso

e exemplos do Oriente Médio, especialmente dos países

do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). As institu-

ições de ensino superior dos EUA reconhecem que seus

alunos internacionais, especialmente de áreas como os

Emirados Árabes Unidos, buscam uma educação que

não seja padronizada, mas sim que ofereça habili-

dades globalmente transferíveis e úteis. Por exemplo,

em janeiro de 2025, a NYU Stern School of Business

iniciará um programa de um ano para estudantes dos

Emirados Árabes Unidos em Abu Dhabi.

Isso levou alguns programas a oferecer cursos especifi-

camente adaptados às práticas de negócios internac-

ionais no Oriente Médio, com foco em áreas como

finanças islâmicas, que são oferecidas na Universidade

da Geórgia e na American University. Além disso, o site

Harvard Worldwide traz o Islamic Finance Project (IFP),

ou Projeto de Finanças Islâmicas, que tem como objeti-

vo “servir como um ponto de convergência para infor-

mações sobre finanças e economia islâmicas para

acadêmicos,

pesquisadores

e

profissionais

da

indústria.” Além disso, cursos de gestão intercultural,

À

“As instituições de ensino superi-

or dos EUA reconhecem que seus

alunos internacionais buscam

uma educação que não seja

padronizada, mas sim que

forneça habilidades globalmente

transferíveis e úteis”

Edição Especial|07

recursos humanos e setor de energia fazem parte

do currículo. Esses cursos ajudam os alunos a

aplicar em um contexto local as teorias “globais”

de negócios que aprenderam, garantindo que

estejam melhor preparados para os desafios

específicos que enfrentarão ao retornar aos

Emirados Árabes Unidos.

Competência e liderança interculturais

A competência intercultural é outra área em que

os programas de negócios estão evoluindo para

atender às necessidades dos alunos dos Emirados

Árabes Unidos. Os Emirados, com sua grande

população de expatriados e seu papel como um

centro global de negócios, exigem líderes adeptos

à navegação em diversos cenários culturais. Os

programas de negócios dos EUA estão dando

maior ênfase à comunicação intercultural e ao

treinamento de liderança, compreendendo que

seus graduados frequentemente trabalharão em

equipes e ambientes multiculturais.

Adquirir conhecimento, inteligência emocional e

capacidade de trabalhar com pessoas de difer-

entes origens e equipes será diferente dos mod-

elos e experiências em sala de aula nos EUA.

Portanto, aprender habilidades interpessoais e

aplicar teorias de liderança no ambiente de

trabalho será uma vantagem nos papéis que

desempenharem.

Muitas universidades também estão aproveitando

suas redes de ex-alunos e conexões com empre-

sas nos Emirados Árabes Unidos para oferecer

oportunidades de mentoria e estágios que propor-

cionam experiência prática na região. A NYU Stern

School of Business oferece um currículo de MBA de

54 créditos que abrange estágios e projetos com

empresas locais, facilitando a aquisição de habili-

dades práticas em seu país de origem. Enquanto

isso, outros programas de bolsas em Abu Dhabi,

como o ADEK (Departamento de Educação e Con-

hecimento - Khotwa RizeUp), oferecem mentoria

nos EUA para seus alunos de graduação.

Falando como um orientador acadêmico e mentor

para mais de 140 alunos em Abu Dhabi, posso

atestar que os alunos do primeiro ano da facul-

dade dos Emirados Árabes Unidos precisam de

mentores experientes em negócios que entendam

a religião, a língua, a cultura e as necessidades

dos alunos recém-chegados à medida que se

adaptam a um novo ambiente de aprendizagem e

cenário cultural/social. Construir confiança e

empatia é fundamental para esses alunos e

também ajuda a criar relacionamentos dura-

douros. A mentoria envolve mais do que simples-

mente orientar os estudantes sobre quais cursos

escolher; trata-se de buscar e fornecer atividades

específicas que beneficiem os futuros graduados,

como redação de currículos, e garantir que os

alunos se tornem fluentes na linguagem dos

negócios. É importante, portanto, que os alunos

sejam auxiliados por profissionais que pratiquem

“ativamente” negócios, conheçam um pouco de

árabe e compreendam o mercado de negócios do

Oriente Médio para oferecer esse tipo rigoroso de

suporte. Essas experiências práticas ajudam os

estudantes dos Emirados a fazer a transição entre

teoria e prática, tornando seu retorno para casa e

para novos empregos mais suave e eficaz.

Foco em empreendedorismo e inovação

O empreendedorismo é um foco crítico para

muitos estudantes dos Emirados Árabes Unidos,

uma vez que o governo dos EAU promove ativa-

mente a inovação e o empreendedorismo como

parte de sua visão econômica de longo prazo. Os

programas de negócios nos EUA estão se

adaptando a essa demanda, oferecendo cursos

especializados e programas de incubação que

apoiam os alunos no desenvolvimento de habili-

dades empreendedoras. Esses programas incenti-

vam os estudantes dos Emirados a pensar de

forma criativa e inovadora, fornecendo-lhes as

ferramentas necessárias para iniciar negócios ou

trazer novas ideias para indústrias em seu país. É

essencial

que

os

estudantes

de

negócios

adquiram habilidades excepcionais e ferramentas

empreendedoras, e que garantam que essas

ferramentas são ágeis para o mercado local.

“Os programas de

negócios nos EUA estão

oferecendo cursos

especializados e

programas de incubação

que apoiam os alunos no

desenvolvimento de

habilidades

empreendedoras”

Dra. Wendy Kaaki

|Edição Especial

08

Finanças Islâmicas e práticas comerciais éticas

Uma das áreas mais significativas em que os

programas de negócios dos EUA estão se

adaptando às necessidades dos estudantes dos

Emirados Árabes Unidos é no campo das finanças

islâmicas. Como um dos maiores mercados

globais para bancos islâmicos, os Emirados

Árabes exigem profissionais bem versados em

práticas financeiras compatíveis com a Sharia.

Reconhecendo isso, muitas universidades dos EUA

introduziram cursos sobre finanças islâmicas, que

combinam teorias financeiras ocidentais tradicio-

nais com as diretrizes éticas exigidas pela lei

islâmica.

Além disso, os programas de negócios dos EUA

estão se concentrando mais em práticas comerci-

ais éticas, alinhando seus ensinamentos com os

valores que são importantes nos Emirados Árabes

Unidos. Tópicos como responsabilidade social

corporativa (RSC), sustentabilidade e governança

ética estão ganhando mais destaque nos currícu-

los de negócios, pois essas são áreas cada vez

mais priorizadas na economia em evolução dos

Emirados.

Transformação digital e proficiência tecnológi-

ca

A rápida adoção de tecnologia pelos Emirados

Árabes Unidos e seu status como um centro de

transformação

digital

significam

que

os

estudantes precisam ser proficientes em tecnolo-

gia. Os programas de negócios dos EUA estão

integrando cursos avançados de tecnologia em

seus currículos, abrangendo tudo - desde market-

ing digital até análise de dados e inteligência

artificial (IA). Esse foco tecnológico garante que os

alunos dos Emirados estejam não apenas atual-

izados com as tendências digitais globais, mas

também preparados para liderar as iniciativas

digitais dos EAU ao retornarem para casa. Por

exemplo, com o foco do governo dos EAU em

iniciativas como Smart Dubai e Vision 2021, que

têm como objetivo tornar os Emirados Árabes

líderes em inovação digital, estudantes com essas

habilidades estão sendo muito requisitados.

A mudança no cenário da economia dos Emirados

Árabes Unidos e o compromisso do país em se

tornar um centro de negócios global estão impul-

sionando a necessidade de programas educacio-

nais que equilibrem os padrões globais com a

relevância local. As escolas de negócios dos EUA

estão adaptando seus currículos para preparar os

alunos dos Emirados Árabes Unidos para as com-

plexidades do mercado do Oriente Médio, ao

mesmo tempo em que os equipam com as habili-

dades globais necessárias para a liderança em

um mundo competitivo. De competência intercul-

tural até empreendedorismo e finanças islâmicas,

esses programas garantem que os estudantes

dos EAU possam prosperar tanto globalmente

quanto localmente, contribuindo para as ambicio-

sas metas de seu país de origem.

À medida que mais estudantes dos Emirados

Árabes buscam educação nos EUA, a relação

simbiótica entre padrões globais e necessidades

do mercado local só tende a se aprofundar, crian-

do uma nova geração de futuros líderes empre-

sariais prontos para moldar o futuro dos Emirados

Árabes Unidos.

Os programas de negócios

dos EUA estão dando uma

ênfase crescente à

comunicação intercultural

e ao treinamento em

liderança

Edição Especial|09

Destaque de liderança

Fazendo a excelência em

Educação empresarial

acontecer na Universidade

de Ajman

Dr. Seghir, estamos muito feliz-

es pelo senhor estar conosco

nesta edição da UniNewsletter

para discutir a personalização

da

educação

empresarial.

Poderia

se

apresentar

aos

nossos leitores, incluindo sua

formação

acadêmica

em

negócios e como chegou ao seu

papel atual como reitor da

Universidade de Ajman (AU)?

Obrigado por me convidar para

participar

desta

edição

da

UniNewsletter. Nasci na França e

fui criado na Tunísia. Obtive um

bacharelado em matemática

pela

Universidade

de

Túnis,

seguido por um Mestrado em

Métodos

Matemáticos

em

Economia

e

Finanças,

bem

como

um

Doutorado

em

Economia

Matemática

e

Finanças pela Universidade Paris

1 Panthéon-Sorbonne.

Antes de vir para a AU, fui reitor

da

Escola

de

Negócios

da

Universidade

Americana

no

Cairo (AUC), onde também fui

pró-reitor

de

Estudos

de

Graduação

e

Administração,

responsável por acreditações

internacionais como a

Association

to

Advance

Collegiate Schools of Business

(AACSB), o Sistema de Melhoria

da

Qualidade

(EQUIS)

da

Fundação

Europeia

para

o

Desenvolvimento

Gerencial

(EFMD) e a Associação de MBAs

(AMBA). Antes de ingressar na

Universidade

do

Cairo,

fui

professor

assistente

de

Economia

na

Universidade

Americana de Beirute.

Também

trabalhei

como

professor visitante na Pontifícia

Universidade Católica no Rio de

Janeiro e na Universidade do

Chile e fui pesquisador visitante

na

Universidade

NOVA

em

Lisboa.

Sou reitor da Universidade de

Ajman desde 1º de janeiro de

2017. Logo que ouvi sobre a

universidade, a posição e a

localização,

fiquei

muito

animado. Os Emirados Árabes

Unidos

estavam

ganhando

atenção como um centro global

de

indústria

e

empreendedorismo

entre

o

Oriente e o Ocidente. Além disso,

o cenário do ensino superior do

país estava crescendo

A Universidade de

Ajman foi

nomeada uma

instituição de alta

confiança pela

Comissão de

Credenciamento

Acadêmico nos

EAU

Uma entrevista com o reitor da Universidade de Ajman

Dr. Karim Seghir

|Edição Especial

10

Edição Especial|11

exponencialmente

com

a

liderança

firme

e

forte

do

Ministério da Educação.

O Emirado de Ajman, a uma

curta distância de carro de

Dubai, é bonito e vibrante, com

muita atividade econômica e

belas praias. Na minha primeira

visita, fiquei impressionado com

o deslumbrante campus da AU e

com o comprometimento de

toda a comunidade com a

excelência e o impacto social.

Eu soube imediatamente que as

possibilidades eram ilimitadas -

como de fato provaram ser -

graças à visão e liderança do

Conselho de Curadores, a toda a

equipe de partes interessadas

dedicadas e à mistura única de

compaixão social e inovação

técnica demonstrada por nossa

vibrante comunidade. Todos os

dias na Universidade de Ajman,

somos a prova viva do nosso

lema "Faça acontecer"!

Gostaríamos de dar nossos

mais calorosos parabéns por

sua recente nomeação como

Presidente do Conselho Consul-

tivo do Oriente Médio e Norte da

África (MENA) da Association to

Advance Collegiate Schools of

Business (AACSB). O senhor

poderia explicar o que essa

função

envolverá

e

sua

importância para a região do

MENA?

A Universidade de

Ajman é a primeira

universidade privada

e sem fins lucrativos

nos EAU e em toda a

região árabe a

receber o

credenciamento da

WASC Senior College

and University

Commission nos EUA

|Edição Especial

12

É uma honra ser nomeado

Presidente

do

Conselho

Consultivo da região do MENA da

AACSB. Esta nomeação ressalta

meu comprometimento pessoal

e profissional com a excelência

na

educação

empresarial.

Como presidente do conselho,

meu objetivo é contribuir para o

avanço

da

educação

em

negócios na região, assumindo

um papel ativo na formação de

seu futuro. Vou me concentrar

em

introduzir

serviços

e

programas

específicos

da

região,

aumentando

a

empregabilidade de graduados

em negócios e promovendo

conexões mais fortes entre a

academia e a indústria. Por meio

desta

abordagem

proativa,

pretendo

garantir

que

as

escolas de negócios em toda a

região do Oriente Médio e Norte

da África não apenas sejam

bem

representadas,

mas

também totalmente engajadas

na

rede

global

da

AACSB,

aumentando seu impacto no

cenário internacional.

Quais desafios específicos a

região do MENA enfrenta no

ensino de negócios, e quais

oportunidades

regionais

existem para o crescimento da

disciplina? Como a abordagem

curricular da Universidade de

Ajman reflete esses desafios/

oportunidades?

A

região

do

MENA

está

crescendo rapidamente. Mais

empresas. Mais universidades.

Mais alunos. Mais startups. Um

ecossistema

de

empreendedorismo

maior

e

mais interconectado. A região

também é caracterizada por

uma população jovem, com

mais de 55% da população

abaixo

dos

30

anos,

em

comparação

com

36%

da

população

nos

países

da

Organização

para

a

Cooperação e Desenvolvimento

Econômico (OCDE). No entanto,

a região do MENA enfrenta um

desafio significativo com o

desemprego

juvenil,

particularmente

entre

graduados universitários. Em

alguns

países,

a

taxa

de

desemprego

entre

jovens

graduados

atinge

aproximadamente

40%.

Um

fator

fundamental

é

a

incompatibilidade

entre

as

habilidades

adquiridas

por

meio da educação e aquelas

exigidas

pelo

mercado

de

trabalho.

Abordar

essa

questão

requer

alinhar

os

currículos educacionais com

as necessidades do mercado,

promover

o

treinamento

vocacional

e

fomentar

o

desenvolvimento

do

setor

privado

para

criar

oportunidades de emprego.

Resolver esse desafio é o

"centro de gravidade" da AU e

estamos

construindo

nosso

currículo

em

torno

dele.

Algumas das mudanças que

já implementamos incluem:

Lançamos o Masar Career

Excellence Center para ajudar os

alunos a construir capital de

relacionamento e atingir metas

de carreira, ao mesmo tempo

em que os posicionamos como

futuros

líderes

globais

para

nossos parceiros.

Enfatizamos uma abordagem

de ensino prática e centrada no

aluno

e

uma

jornada

de

desenvolvimento centrada no

aluno.

Promovemos a interação entre

os setores público e privado na

sala de aula por meio de

palestrantes, visitas a empresas

e resolução de problemas da

vida real, incentivando os alunos

a pensar em soluções regionais

para problemas globais.

Nossa

ênfase

na

empregabilidade dos alunos nos

ajudou a ganhar a classificação

de nº 1 dos EAU e nº 221 do

mundo

em

“Reputação

do

Empregador”.

Estamos

profundamente comprometidos

em fazer o futuro acontecer

agora!

Aproximadamente

29%

do

emprego total do MENA está no

setor público, quase o dobro da

média

global

(excluindo

a

China). No entanto, um número

crescente de alunos e ex-alunos

está

buscando

caminhos

empreendedores. Em resposta a

essa mudança, a Universidade

de Ajman lançou seu Centro de

Inovação (AUIC) em 2016. A

missão do centro é transformar

ideias

e

tecnologias

em

e m p r e e n d i m e n t o s

comercialmente

viáveis,

impulsionando

o

desenvolvimento econômico, a

criação

de

empregos

e

o

empoderamento dos jovens.

O AUIC fornece às startups

acesso a recursos essenciais,

como corpo docente,

A

Universidade

de Ajman é

classificada

pela QS como

a instituição

de ensino

superior nº

477 do

mundo, nº 22

na Região

Árabe e nº 5

nos EAU

Edição Especial|13

laboratórios

de

informática,

treinamento

empresarial

e

mentoria. Ele também conecta

empreendedores

com

capitalistas

de

risco

e

investidores anjos nos EAU e na

região. Até o momento, a AUIC

concluiu 7 ciclos de incubação,

orientou mais de 130 startups e

obteve certificações nacionais e

internacionais,

incluindo

do

Global Innovation Institute (GINI),

Institute

of

Innovation

and

Knowledge Exchange (IKE) e

Dubai SME. Tenho orgulho de

dizer

que

nossas

startups

incubadas

geraram

aproximadamente

AED

17

milhões

em

receita,

AED

5

milhões em investimento e

criaram mais de 100 empregos.

Como o senhor acha que a

educação

empresarial

na

região do MENA se adaptou a

esta era de educação cada vez

mais globalizada, e o que mais

as instituições podem fazer

para garantir que seus currícu-

los reflitam diversas vozes e

perspectivas globais?

Para oferecer uma experiência

de educação e aprendizagem

verdadeiramente

global,

devemos ter diversas vozes e

perspectivas

globais

no

campus. Não há atalho para

inclusão! Uma instituição deve

refletir o mundo como um todo.

A Universidade

de Ajman é

classificada

pela QS como nº

3 do mundo e nº 1

na Região Árabe

para estudantes

internacionais —

e nº 6 do mundo

para

professores

internacionais!

|Edição Especial

14

Um mundo que precisa de

grandes ideias de alunos com

uma variedade de origens e

diversas maneiras de pensar. Na

AU, recebemos estudantes de

diversas

origens

socioeconômicas, oriundos de

102

países.

E

oferecemos

dezenas

de

programas

de

intercâmbio internacional, bem

como

oportunidades

de

impacto social dentro e fora dos

EAU. A experiência na AU oferece

aos alunos a chance de ver o

mundo no campus, o que os

prepara para fazer parte do

mundo real após a graduação.

Eles se sentem confortáveis e

colaborativos com pessoas em

qualquer lugar. Isso é mais do

que

uma

habilidade

interpessoal, é uma maneira de

reduzir conflitos no local de

trabalho

e

aumentar

a

produtividade.

Acredito

que

isso

esteja

conectado ao princípio central

do meio acadêmico — a troca

de ideias em busca de uma

sociedade

mais

inclusiva

e

resiliente. Em outras palavras:

excelência,

compaixão

e

inovação

trabalhando

juntas

para

o

bem

maior.

E

é

exatamente isso que buscamos

fazer na AU — abrir um mundo

de ideias e possibilidades para

todos que cruzam essas portas.

Para que eles, por sua vez,

possam

navegar

em

seus

próprios mares desconhecidos

e, assim, chegar a novas praias

de pensamentos e soluções

com os outros.

Infelizmente, o ensino superior

muitas vezes foi visto como uma

“torre

de

marfim”

para

os

privilegiados. Um lugar fora do

alcance de muitos por causa de

seu status socioeconômico. Ou

seu local de nascimento. Ou seu

gênero.

Ou

deficiência.

Negligenciar

a

garantia

da

inclusão no ensino superior traz

o

risco

de

perpetuar

a

desigualdade e sufocar tanto o

potencial individual quanto o

progresso social.

Edição Especial|16

Na AU, nosso status “sem fins

lucrativos”

significa

que

defendemos o acesso. Nossa

classificação

global

e

credenciamentos

significam

que defendemos a excelência.

Não

combinação

mais

poderosa

na

Terra

do

que

acesso

e

excelência.

É

transformador. Amplia a mente.

Abre o coração. Muda o jogo. Faz

a carreira.

Para que tipo de funções, além

das tradicionais, o senhor acha

que a educação em negócios

pode preparar novos alunos

que estão entrando na discipli-

na para se destacarem? E de

que maneiras as universidades

podem preparar seus alunos

para exercer diferentes funções

após a graduação?

A

educação

em

negócios

envolve pensamento criativo e

resolução

inovadora

de

problemas.

Essas

são

habilidades valiosas para cada

graduado e significativas para

qualquer carreira. As escolas de

negócios

devem

equipar

os

alunos

para

funções

em

evolução

em

áreas

como

Análise

de

Negócios

e

IA,

Sustentabilidade

e

Responsabilidade

Social

Corporativa (RSC), Consultoria e

Assessoria, Tecnologia e Gestão

de

Projetos

para

citar

algumas.

As

escolas

de

negócios devem adotar uma

abordagem

interdisciplinar,

interconectada,

focada

no

exterior, prática e com suporte

de

tecnologia

para

aprendizagem e ensino. Elas

também devem colaborar com

outras

escolas,

como

engenharia, TI e medicina, pois a

maioria dos desafios globais são

complexos

e

exigem

abordagens

interdisciplinares.

Além

disso,

as

escolas

de

negócios na região do MENA

devem

fornecer

educação

executiva relevante e de alto

impacto

e

programas

de

gerência intermediária que se

alinhem às necessidades do

desenvolvimento

econômico.

Esses programas devem ser

adaptados para fornecer aos

líderes e gerentes as habilidades

para navegar na dinâmica de

mercado

em

evolução

e

impulsionar

a

inovação.

Ao

promover

o

pensamento

estratégico e a excelência em

liderança,

essas

iniciativas

podem desempenhar um papel

crucial

na

melhoria

do

desempenho organizacional e

no

suporte

ao

crescimento

econômico sustentável.

Muito

obrigado

por

seus

insights, Dr. Seghir. Por fim,

gostaríamos de perguntar que

tipo de qualidades e práticas o

senhor considera importantes

para a liderança empresarial

ética? E como o senhor tenta

modelar essas qualidades e

práticas dentro de sua própria

função como reitor da Universi-

dade de Ajman?

Ética

e

integridade

são

essenciais

em

todas

as

profissões e locais de trabalho, e

a liderança ética é baseada em

características

específicas.

Primeiro, a integridade — agir

com honestidade, autenticidade

e

transparência

cria

confiança

tanto

dentro

da

organização quanto com as

partes

interessadas

externas.

Como

reitor,

priorizo

a

transparência na tomada de

decisões,

garantindo

comunicação

aberta

com

professores,

funcionários,

alunos, ex-alunos e parceiros.

Isso

promove

um

ambiente

onde as pessoas se sentem

ouvidas e assumem a

|Edição Especial

17

A Universidade

de Ajman tem

17 membros do

corpo docente

na lista da

Universidade

de Stanford dos

2% melhores

cientistas

globais

responsabilidade

por

suas

funções no avanço da missão

da Universidade.

A empatia é outra característica

essencial. Líderes eficazes se

conectam com as perspectivas

dos outros, independentemente

de sua formação. Na AU, temos

orgulho de nossa comunidade

diversificada, e eu me envolvo

ativamente

com

todos

os

membros,

entendendo

seus

desafios

e

aspirações.

Essa

inclusão garante uma melhor

tomada de decisão.

A

responsabilização

é

igualmente

importante.

Liderança ética significa assumir

a

responsabilidade

pelas

próprias ações. Eu lidero pelo

exemplo,

discutindo

abertamente nossas metas e

desafios estratégicos,

incentivando

um

senso

compartilhado

de

responsabilidade em toda a

instituição.

Essa

cultura

de

propriedade ajuda a levar nossa

missão adiante.

Por

fim,

aprendizado

e

crescimento

contínuos

são

essenciais. Líderes devem se

adaptar

e

evoluir.

Na

AU,

promovo

uma

cultura

de

aprendizado para mim e para

toda

a

comunidade

para

permanecermos responsivos às

demandas

em

evolução

do

ensino superior.

Ao incorporar esses valores —

integridade,

empatia,

responsabilidade

e

um

compromisso

com

o

crescimento — pretendo liderar

a AU eticamente, preparando

nossos graduados para serem e

líderes éticos.

Edição Especial|18

Destaque da liderança

Equilibrando a visão dos EAU

e uma abordagem internacional

para os negócios na Universidade

de Abu Dhabi (ADU)

Entrevista com o Professor Barry O'Mahony,

Decano da Escola de Negócios da ADU

|Edição Especial

19

Professor O'Mahony, estamos felizes que o

senhor possa se juntar a nós nesta edição

especial da UniNewsletter para discutir a

personalização da educação em negócios à luz

dos contextos locais. Sempre pedimos aos

nossos estimados líderes que comecem se

apresentando aos nossos leitores e que

expliquem — no seu caso — sua formação em

ensino/pesquisa e como o senhor chegou à sua

posição atual como Decano da Faculdade de

Negócios da Universidade de Abu Dhabi (ADU).

Estou muito feliz com a oportunidade de me

apresentar aos leitores da UniNewsletter e com-

partilhar minha formação e percepções. Minha

jornada acadêmica não foi tradicional, pois

antes de ingressar na academia, trabalhei na

área de hospitalidade. Isso envolveu trabalho

internacional, inclusive na Austrália, onde fui

membro de uma equipe de liderança que esta-

beleceu três novos hotéis de luxo. Construí essa

experiência na universidade, adotando a gestão

de serviços como minha especialização e, mais

tarde, minha área de foco de pesquisa. Minha

primeira função como decano foi nos EAU em

2016, seguida por dois anos como diretor

acadêmico na École Hôtelière de Lausanne, na

Suíça. Voltar aos EAU em 2020 como decano da

faculdade de negócios da Universidade de Abu

Dhabi foi um prazer para mim porque entendi a

cultura, a vibração e o ambiente acolhedor dos

Emirados Árabes Unidos.

Para alguém com experiência em negócios

globais e que está profundamente sintonizado

com o contexto local dos Emirados Árabes

Unidos, como a ADU equilibra os princípios de

negócios globais com as necessidades exclu-

sivas do mercado local e da região do MENA?

A ADU foi criada em 2003 por um grupo de

eminentes profissionais de negócios dos Emira-

dos Árabes, então a perspectiva do mercado

local foi bem compreendida. Também havia um

forte entendimento da visão dos Emirados, e

isso estava incorporado à Universidade. Hoje, a

Hoje, a ADU e nossa

Faculdade de Negócios

continuam a refletir as

necessidades do

mercado local em

nossas principais

prioridades

estratégicas

ADU e nossa escola de Negócios continuam a

refletir as necessidades do mercado local em

nossas prioridades estratégicas. Nosso Consel-

ho Consultivo é composto por profissionais de

negócios locais, regionais e internacionais. Na

sala de aula, usamos estudos de caso no estilo

Harvard que são adaptados aos desafios de

negócios locais. Muitos deles emanam das

dissertações de mestrado e doutorado de

nossos alunos e são publicados internacional-

mente. Ao mesmo tempo, a Universidade foi

uma das primeiras a adotar acreditações inter-

nacionais. Por exemplo, a Faculdade de Negóci-

os foi uma das primeiras nos EAU a obter a

acreditação AACSB e ainda é a única Escola de

Negócios no país que foi credenciada com

EQUIS pela Fundação Europeia para o Desen-

volvimento Gerencial. Isso nos coloca entre o 1%

das melhores escolas de negócios globalmente,

e também nos fornece acesso a benchmarking

global

e

melhores

práticas

em

ensino,

aprendizagem e avaliação.

E qual é o papel das parcerias com empresas

locais na formação de aspectos do currículo de

negócios na ADU, e como essas parcerias

ajudam os alunos a adquirir uma perspectiva

global?

Temos relacionamentos fortes com empresas

locais de renome que nos fornecem excepcional

suporte, desde o fornecimento de dados da

indústria para nossa pesquisa até laboratórios,

patrocínio para iniciativas universitárias e

bolsas de estudo para nossos alunos. Graças ao

suporte da indústria, por exemplo, um de nossos

alunos está atualmente estudando em um

programa de parceria na University College

Dublin totalmente financiado por uma empresa

local.

Com a crescente demanda por sustentabili-

dade e responsabilidade social nos negócios

globais, como esses princípios são ensinados

de forma a atender as necessidades e políticas

do mercado local?

Edição Especial|20

Incorporamos princípios

de sustentabilidade e

responsabilidade social

em todos os nossos

programas de negócios

Em primeiro lugar, incorporamos princípios de

sustentabilidade e responsabilidade social em

todos os nossos programas de negócios. Isso

envolve garantir que cada programa tenha resulta-

dos de aprendizagem de programa relacionados à

sustentabilidade e que o conhecimento e a com-

preensão dos alunos sobre esses resultados sejam

avaliados. Em pesquisa, mais de 60% de nossas

publicações

se

concentram

em

desafios

de

sustentabilidade. Os resultados desta pesquisa são

refletidos em nosso ensino, e o corpo docente atual-

iza regularmente seus cursos com base em suas

descobertas. A ADU também esteve profundamente

envolvida na COP28 em 2023, onde hospedamos

vários painéis de discussão de alto nível sobre

desafios de sustentabilidade locais e globais. A

Faculdade de negócios também é membro da

UNPRME, que é um órgão global, e estamos com-

prometidos com sua missão de “…mudar a

educação na área de gestão e desenvolver os

tomadores de decisão responsáveis do futuro para

promover o desenvolvimento sustentável.”

Como a ADU aborda o ensino de práticas empre-

sariais globais de forma a respeitar e incorporar

valores culturais locais?

Além do conteúdo curricular personalizado que

desenvolvemos, estamos atentos às tradições

locais, às leis e ao contexto religioso. Utilizar um

currículo no estilo americano nos permite ensinar

nossos alunos sobre a cultura e as tradições islâmi-

cas e árabes, de modo que todos estejam cientes

do

ambiente

cultural,

independentemente

do

currículo do ensino médio que tenham seguido.

Nossa abordagem de aprendizagem também

reconhece que diferentes culturas têm estilos e

preferências de aprendizado distintos, e é impor-

tante adaptar nossas abordagens de ensino e aval-

iação para garantir que sejam respeitosas em

conteúdo e justas para todos. Por exemplo, moder-

amos todas as avaliações para refletir uma com-

preensão local, ao mesmo tempo em que recon-

hecemos que a primeira língua de muitos alunos

não é o inglês.

Em termos de tecnologia, quais estratégias ou

ferramentas o senhor considerou mais eficazes

para personalizar a educação em negócios de

acordo com as demandas em evolução do merca-

do local?

Usamos a tecnologia de forma extensiva para

aprimorar a aprendizagem, desenvolvendo conteú-

dos e materiais de apoio para integrar os alunos e

facilitar sua transição para a universidade. Temos,

por exemplo, uma série de vídeos de “como fazer",

que explicam os processos universitários e direcion-

am os alunos aos nossos serviços de apoio. Monito-

ramos constantemente as exigências de habili-

dades locais e globais, não apenas em relação às

grandes mudanças trazidas pelo avanço da

inteligência artificial, mas também em termos de

padrões internacionais nas práticas de negócios e

crescimento futuro de empregos. O Fórum Econômi-

co Mundial, por exemplo, reporta anualmente as

previsões sobre os empregos do futuro. Nos últimos

anos, esse foco passou da tecnologia—especial-

mente em ciência de dados e IA —para uma ênfase

maior nos fatores humanos e em áreas relaciona-

das, como a economia do cuidado, que, acredito,

ganhou destaque durante a pandemia de COVID.

Agora estamos vendo um foco maior na transição

verde, que é um elemento chave na visão dos EAU,

como um dos poucos signatários regionais que

busca alcançar emissões líquidas zero até 2050.

Portanto, pode-se afirmar que esse fenômeno

global levou a uma liderança local, onde os EAU

estão na vanguarda dessa revolução tecnológica.

Assim, as demandas dos mercados globais e locais

coincidem nesse aspecto.

Obrigado, Professor O’Mahony, por seus valiosos

insights. Por último, quais são suas esperanças

para os graduados da Faculdade de Negócios da

ADU? Como o senhor espera que a formação deles

na ADU os prepare para enfrentar o mundo dos

negócios global, ao mesmo tempo em que preser-

va as nuances da prática empresarial nos EAU?

Nossas esperanças para nossos graduados são que

eles saiam de nossa instituição como líderes

globalmente competentes e responsáveis, com

uma mentalidade empreendedora capaz de se

adaptar a um mundo em constante mudança e a

um mercado de trabalho dinâmico. Isso será

alcançado por meio de uma aprendizagem contex-

tualizada, baseada em uma pedagogia inovadora

que combina conceitos teóricos com insights da

indústria, enriquecida pela participação em uma ou

mais oportunidades de intercâmbio estudantil,

programas conjuntos ou excursões de estudo em

universidades parceiras de destaque internacional.

Sua confiança será reforçada pela nossa reputação

global, onde a Faculdade de Negócios está classifi-

cada entre as 101-125 melhores do mundo no rank-

ing de Negócios e Economia da Times Higher Educa-

tion.

|Edição Especial

21