UN-DEC 2024-portugues

COMO A COMPUTAÇÃO QUÂNTICA

REVOLUCIONARÁ NOSSA

PAISAGEM TECNOLÓGICA

Dezembro de 2024

A Necessidade

Emergente de

Alfabetização Quântica

NESTA EDIÇÃO

VOLUME 2

Tópicos Especiais

Experiências de estudantes

dos Emirados Árabes nos

EUA,

Dra. Wendy Kaaki,

Universidade Estadual do

Novo México, EUA

Destaque de Liderança

Professor Waqar Ahmad,

Presidente da Nazarbayev

University, Cazaquistão

Foco Regional

Alunos indígenas de uma

Escola Normal rural

mexicana, Dra. Ana Arán

Perspectivas académicas

Perspectivas Acadêmicas

Pesquisa e Ensino em

Ciências Humanas

Dra. Suchismitta Dutta,

Universidade de

Tampa, EUA

Voz do Aluno

Shahd Elbassiouni,

Universidade de

Birmingham Dubai,

Emirados Árabes Unidos

Mohammed Mohammed

Almazrouei, Orange Coast

Community College, EUA

Tendências

Dr. Stavros Christopoulos, Universidade Sorbonne Abu Dhabi

Conteúdo

Editorial

Nota da Editora-chefe

Laura Vasquez Bass

Tópicos

Especiais

Experiências internacionais de

adaptação, comunicação e

desenvolvimento: as experiências

de estudantes dos Emirados

Árabes nos Estados Unidos

Dra. Wendy Kaaki, Universidade

Estadual do Novo México, EUA

Destaque

de Liderança

Do começo humilde ao

impacto global: a visão do

professor Waqar Ahmad

para o futuro da

Nazarbayev University

Professor Waqar Ahmad

Foco Regional

Alunos indígenas de uma Escola

Normal rural mexicana: um

equilíbrio político de ação afirma-

tiva

Dra. Ana Arán, Escola Normal

Rural Ricardo Flores Magón,

México

Voz do Aluno

Segurança digital e

autodescoberta: Defesa da

Segurança Cibernética na

Universidade de Birmingham,

Dubai

Shahd Islam Elbassiouni,

graduanda em Ciência da

Computação, Universidade de

Birmingham Dubai, Emirados

Voz do Aluno

Fazendo uma contribuição

significativa para o meu país: uma

reflexão sobre estudar nos EUA

Mohammed Mohammed

Almazrouei, Orange Coast

Community College — Universidade

da Califórnia, Irvine, EUA

Perspectivas

Acadêmicas

Unindo fronteiras, unindo

disciplinas: sobre pesquisa e

ensino em Ciências Humanas

04

08

12

18

22

30

Tendências

A necessidade emergente de

alfabetização quântica: como a

computação quântica revolucionará

nosso cenário tecnológico

Dr. Stavros Christopoulos,

Universidade Sorbonne Abu Dhabi

34

26

MATÉRIA DE CAPA

Dra. Suchismitta Dutta,

Professora Assistente de Inglês e

Redação, Universidade de Tampa, EUA

Quer saber como

se adaptar à vida

nos EUA sendo

um estudante

dos Emirados

Árabes Unidos?

Vamos nessa!

Página 6

Página 20

Página 24

Modelos

educacionais

globalizados são o

novo normal,

impulsionando

colaborações

internacionais

enriquecedoras

É evidente para todos no setor de ensino superior que

modelos educacionais globalizados são o novo

normal, impulsionando algumas colaborações inter-

nacionais

enriquecedoras

nos

últimos

meses.

Enquanto escrevo esta nota de boas-vindas no final

de outubro de 2024, houve alguns acontecimentos

dignos de nota nos últimos dias. O Terceiro Fórum

Anual para Pesquisa Aberta (FORM) na região do

MENA, realizado em Doha, Qatar, ocorreu este mês.

Esta parceria ressalta uma dedicação coletiva no

MENA para melhorar a acessibilidade e a inclusão na

pesquisa acadêmica, com o objetivo de cultivar o

desenvolvimento sustentável no mundo árabe. Como

parte de seu programa "Going Global Partnerships", o

British Council realizou um fórum educacional focado

em melhorar as colaborações entre instituições do

Reino Unido e da Romênia. A iniciativa visa promover

intercâmbios acadêmicos internacionais, diplomas

conjuntos e projetos de pesquisa, abordando especifi-

camente a sustentabilidade climática, pesquisa

médica e inteligência artificial. Além disso, durante a

Conferência Anual da Semana Nacional de Facul-

dades

e

Universidades

Historicamente

Negras

(HBCUs) de 2024 na Filadélfia, EUA, organizada pelo

Programa de Liderança de Visitantes Internacionais

(IVLP) do Departamento de Estado dos EUA, foi

promovida

a

colaboração

entre

universidades

africanas e HBCUs. O encontro, que contou com a

presença de professores de ensino superior, adminis-

tradores e autoridades governamentais de 11 países

africanos diferentes, enfatizou parcerias acadêmicas

e culturais de longo prazo entre universidades

africanas e HBCUs para promover recursos e práticas

compartilhados.

Compartilho esses exemplos para enfatizar a promes-

sa de inovações educacionais pioneiras quando

instituições globais se unem além das fronteiras em

nome do progresso mútuo. Esses exemplos e muitos

outros cristalizam a importância dos objetivos da

UniNewsletter — servir como uma plataforma onde

essas conexões magnéticas entre diversos coletivos

Laura Vásquez Bass

Nota da Editora-chefe

EDITORIAL

Bem-vindos

à UniNewsletter

educacionais globais podem se encontrar, inspirando

novas parcerias do amanhã. Esta edição da UniNewslet-

ter reúne uma ampla gama de vozes no ensino superior

dos EUA, Emirados Árabes Unidos (EAU), México,

Cazaquistão e mais, discutindo tópicos de grande inter-

esse e importância para nossa comunidade educacion-

al.

Nossa matéria de capa, que dá título a esta edição, vem

do artigo do Dr. Stavros Christopoulos, Professor Associa-

do de Física na Universidade Sorbonne Abu Dhabi. Ao

explorar o potencial transformador da computação

quântica, o Dr. Christopoulos remonta suas origens às

ideias visionárias do renomado físico Richard Feynman,

examinando sua base em fenômenos quânticos como a

superposição e o emaranhamento. Ele defende a

importância de alcançar a "alfabetização quântica" por

meio da educação, enfatizando como programas como

o novo currículo de Física da Sorbonne Abu Dhabi estão

preparando os alunos para liderar neste campo em

rápida evolução.

Abrindo a edição, em nossa seção “Temas Especiais”, a

Dra. Wendy Kaaki oferece uma ampla perspectiva sobre

as experiências de alunos dos Emirados Árabes que

estudam nos EUA. Ela aborda questões ligadas à

adaptação, como moradia e os diferentes costumes

relacionados à comunicação e ao espaço pessoal, além

do desenvolvimento profissional. A Dra. Kaaki caracteriza

o sistema universitário dos EUA como um ambiente que

nutre as qualidades necessárias para cultivar uma men-

talidade empreendedora, o que é benéfico para os

estudantes dos Emirados Árabes que almejam iniciar

carreiras empresariais quando retornarem para casa

após seus estudos.

O destaque de liderança desta edição é o estimado

Professor Waqar Ahmad, Presidente da Nazarbayev

University (NU), no Cazaquistão. Nesta entrevista, o

Professor Waqar Ahmad fala sobre sua jornada não

convencional em direção a uma carreira acadêmica e

sua filosofia de liderança na NU. Ele enfatiza o foco da NU

em pesquisas de nível internacional, promovendo a

diversidade

e

aprimorando

a

experiência

dos

estudantes, ao mesmo tempo em que impulsiona a

inovação em áreas críticas como energia renovável e

inteligência artificial. Como o Professor Waqar relata, os

esforços da NU visam posicionar a instituição como líder

em educação e desenvolvimento regional.

O Foco Regional desta edição é apresentado pela Dra.

Ana Arán. Seu artigo destaca o papel crucial das Escolas

Normais rurais no enfrentamento das desigualdades no

ensino superior para estudantes indígenas. Ela discute

políticas de ação afirmativa e iniciativas culturalmente

inclusivas na Escola Normal Rural Ricardo Flores Magón

(ENRRFM), mostrando como elas apoiam os estudantes

indígenas na preservação de suas línguas e tradições,

ao mesmo tempo em que os preparam para carreiras

impactantes

na

educação.

Apesar

dos

avanços

significativos, ela conclui que a necessidade de esforços

contínuos para promover a inclusão e a equidade

permanece vital.

Na seção Voz do Aluno desta edição, temos o privilégio de

apresentar dois estudantes dos Emirados Árabes cujos

caminhos divergentes podem inspirar os estudantes dos

EAU que pensam em estudar no exterior. Shahd Elbassiouni

é uma aluna de Ciência da Computação que escolheu

iniciar seus estudos na University of Birmingham Dubai.

Desde o desenvolvimento de um aplicativo de segurança

para mulheres até sua nomeação como embaixadora

estudantil, a jornada de Shahd Elbassiouni mostra seu

compromisso com a segurança cibernética e o impacto na

comunidade. Ela conta que sua experiência universitária

aprimorou suas habilidades de liderança e expertise técni-

ca, alimentando sua missão de educar os jovens sobre

como se manter seguros em um cenário digital em

constante evolução. Já Mohammed Almazrouei optou por

seguir seus estudos nos EUA, visando ingressar na Universi-

dade da California, Irvine. Ele detalha as maneiras

inesperadas com que precisou se adaptar à vida nos EUA,

mas conclui que sua jornada fomentou sua ambição

empreendedora e resiliência. Como futuro estudante de

Educação Empresarial, ele reflete sobre como seu multilin-

guismo e o amplo conhecimento de diferentes culturas o

ajudarão no futuro, quando retornar aos EAU para

contribuir com o cenário empresarial em rápida mudança

do país.

Antes de fecharmos a edição com nosso artigo de Tendên-

cias, temos o prazer de apresentar a inspiradora jornada

da Dra. Suchismitta Dutta, Professora Assistente de Inglês e

Redação na Universidade de Tampa, nos EUA, em nossa

seção Perspectivas Acadêmicas. Sua trajetória acadêmica

é uma que une disciplinas e redefine o papel das humani-

dades no enfrentamento de desafios sociais. Do estudo da

literatura inglesa na Índia até a pesquisa interdisciplinar de

doutorado e pós-doutorado nos EUA, o trabalho desta

acadêmica

exemplifica

o

poder

transformador

da

educação e seu potencial para impulsionar a equidade e a

inovação.

Como sempre, esperamos sinceramente que você goste

desta edição da UniNewsletter tanto quanto nós gostamos

de trabalhar com cada um desses indivíduos talentosos.

Esperamos que as palavras perspicazes destas pessoas

sirvam de inspiração para você fazer perguntas, conec-

tar-se e encontrar oportunidades de colaboração.

TÓPICOS ESPECIAIS

O sistema escolar

dos EUA é

reconhecido pelo

seu foco em

invenção,

criatividade e

pensamento

crítico — atributos

essenciais para o

empreendedoris

mo

Quando

estudantes

vêm

dos Emirados Árabes Unidos

(EAU)

para

estudar

nos

Estados Unidos (EUA), eles

se deparam com experiên-

cias únicas que moldam

profundamente

suas

perspectivas e desenvolvi-

mento

pessoal.

Essas

experiências envolvem con-

quistas

acadêmicas,

adaptação cultural, inter-

ações sociais únicas e o

desenvolvimento de uma

mentalidade

empreende-

dora. Os estudantes dos

Emirados Árabes precisam

se adaptar à vida nos EUA.

Algumas

dificuldades

incluem

gerenciar

onde

morar,

seja

com

uma

família anfitriã ou dividindo

uma casa com colegas de

quarto, aprender como as

pessoas falam ou o que elas

“querem dizer”, seguir as

regras de espaço pessoal e

aplicar seu patrimônio

cultural para se envolver em

e m p r e e n d i m e n t o s

empreendedores.

Este

artigo examinará as expec-

tativas fundamentais dos

estudantes

dos

Emirados

Árabes que estudam nos

EUA, com foco em suas

interações

com

famílias

anfitriãs, convivência com

colegas,

adaptação

às

normas

culturais

e

a

importância

do

empreendedorismo em seu

crescimento pessoal.

Acomodação

Uma parte significativa da

experiência de viver no exte-

rior para os estudantes dos

EAU começa em casa ou em

seu

novo

ambiente

de

moradia. Muitos estudantes

escolhem

morar

com

famílias anfitriãs, pois con-

viver

com

uma

família

anfitriã é uma oportunidade

Experiências Internacionais de

Adaptação, Comunicação,

e Desenvolvimento

As experiências dos estudantes dos Emirados Árabes

nos Estados Unidos

Dra. Wendy Kaaki

Universidade Estadual do Novo México, EUA

A pesquisa

mostrou que

estudantes

internacionais que

vivem com

famílias anfitriãs

vivenciam uma

imersão cultural

mais forte do que

aqueles que

moram de forma

independente ou

com colegas de

quarto da mesma

cultura

de aprender sobre a cultura americana e

praticar a conversação com falantes nativos

de inglês. As famílias anfitriãs devem oferecer

um ambiente de apoio para os estudantes

dos EAU praticarem o inglês e adquirirem

compreensão sobre as tradições ameri-

canas, ao mesmo tempo em que recebem o

apoio necessário para se adaptar. Pesquisas

mostram que estudantes internacionais que

vivem com famílias anfitriãs vivenciam uma

imersão cultural mais forte do que aqueles

que moram de forma independente ou com

colegas de quarto da mesma cultura. Viver

em um ambiente familiar ajuda a construir

confiança e segurança para se conectar

com

pessoas

de

diferentes

culturas,

permitindo que os estudantes se sintam

orientados pelas suas famílias anfitriãs.

No entanto, viver com famílias anfitriãs pode

trazer dificuldades para os estudantes dos

EAU. As dinâmicas familiares nos EUA podem

contrastar significativamente com as dos

Emirados Árabes, onde os valores culturais

coletivistas predominam nas relações famili-

ares e a proximidade com os pais é muito

comum. Em contrapartida, as famílias

americanas demonstram um nível elevado

de individualismo, priorizando a liberdade

pessoal e autonomia/ independência. Os

pais são a maior prioridade e são muito

valorizados

na

cultura

muçulmana.

Mohammed Mohammed Alamazrouie, um

aluno

de

intercâmbio

que

estuda

Empreendedorismo nos EUA e é destaque

na seção Voz do Aluno desta edição, afirma:

“Estudar no exterior foi difícil nas primeiras

semanas. Eu não estava acostumado com

o ambiente aqui porque todos fazem as

coisas de forma individual e só dependem

de si mesmos. Eles também não julgam o

que você está vestindo ou seu visual,

mesmo que esteja usando pijama. Isso

mudou meus comportamentos aqui; agora

eu não julgo nem me importo com o que as

pessoas vestem. Também não me importo

com o que as pessoas pensam sobre mim e

minha autoconfiança aumentou.”

Além disso, morar com colegas de quarto

ou dividir aluguel dá aos estudantes dos

EAU mais oportunidades para aprender

sobre a cultura e a vida cotidiana nos EUA.

Compartilhar uma moradia exige que os cole-

gas de quarto tenham uma comunicação

clara, respeito mútuo pelos limites e pelo

espaço pessoal e que todos aprendam a

valorizar suas diferenças. Os estudantes dos

Emirados Árabes estão acostumados com um

estilo de vida com fortes conexões familiares,

enquanto os americanos estão habituados à

privacidade e a estabelecer limites. Isso pode

resultar em mal-entendidos entre os colegas

de quarto, especialmente em relação a áreas

comuns, níveis de barulho e interações sociais

Uma comunicação eficaz é essencial para

lidar com essas discrepâncias. Conversar

sobre expectativas e limites desde o início

pode evitar problemas e cultivar relaciona-

mentos positivos entre os estudantes dos EAU

e seus colegas de casa americanos. Ao se

envolver em interações interculturais, os

estudantes adquirem habilidades essenciais

em negociação e compromisso, vitais tanto

para relacionamentos pessoais quanto para

ambientes profissionais.

Comunicação e Espaço Pessoal

As diferenças culturais entre os EAU e os EUA

são especialmente evidentes nos estilos de

comunicação e nas atitudes sobre o espaço

pessoal. Nos EAU, a comunicação é geral-

mente mais indireta, priorizando o respeito e a

prevenção de conflitos. Em contraste, a comu-

nicação americana tende a ser mais direta e

assertiva. Pesquisadores da Universidade de

Miami, nos EUA, concluíram que essa dispari-

dade pode resultar em mal-entendidos, tanto

em contextos acadêmicos quanto sociais, já

que os estudantes dos Emirados Árabes

podem ver a franqueza americana como rude

ou excessivamente insistente, enquanto os

colegas americanos podem considerar os

estudantes dos EAU como evasivos ou

ambíguos.

As percepções de espaço pessoal variam

entre as duas culturas. Nos Emirados Árabes, o

espaço pessoal é tipicamente mais flexível,

com maior tolerância para a proximidade,

principalmente entre familiares e amigos. Nos

EUA, o espaço pessoal é valorizado, sendo

mais comum a distância física durante as

interações. Essa disparidade pode inicial-

mente causar desconforto nos estudantes

dos EAU, especialmente em contextos soci-

ais onde os americanos podem parecer

distantes ou indiferentes. À medida que os

estudantes se familiarizam com essas

nuances culturais, eles aprendem a nego-

ciar as disparidades e a entender melhor o

quanto devem se aproximar ou não de

alguém.

Adaptação

Para muitos estudantes dos EAU, acostu-

mar-se ao estilo de vida americano signifi-

ca que sua maneira de pensar também

precisará de algumas mudanças ou ajust-

es. A diversidade e a abertura nos EUA

entram em conflito com as tradições con-

servadoras dos EAU. Por exemplo, socializar

com mulheres e participar de atividades

abertas com elas não é o padrão para

homens nos EAU. Além disso, não é incenti-

vado o afeto em público, como beijar.

Como dito anteriormente, nos EUA, os

estudantes têm um estilo de comunicação

mais casual que prioriza a franqueza e a

assertividade. Isso apresenta desafios para

os estudantes dos EAU, que podem vir de

um contexto que enfatiza a comunicação

indireta e a preservação da harmonia

social. Além disso, os estudantes emiratis

muitas vezes não têm tantas responsabili-

dades em casa, pois muitas famílias nos

EAU têm ajudantes domésticos, chefs e

frequentemente

babás.

Os

luxos

disponíveis lá não são acessíveis para a

maioria da classe trabalhadora nos EUA.

Existe uma curva de aprendizado acentua-

da para os novos estudantes, que precisam

desenvolver habilidades básicas de vida,

como fazer compras, cozinhar, arrumar a

casa, comunicar-se no idioma recém-ad-

quirido, gerenciar o tempo, ter disciplina e

seguir regras básicas e até leis locais. Com-

preender o valor de gastar e viver com um

orçamento é uma grande lição para os

alunos dos EAU.

Além disso, os estudantes podem precisar

se adaptar ao ritmo de vida nos EUA. A vida

nos EAU costuma ser acelerada, e incluir

cafés e saídas noturnas. Em contrapartida,

nos EUA, as pessoas geralmente vão para a

cama mais cedo porque começam a

trabalhar

bem

cedo

pela

manhã.

Estudantes em grandes cidades como

Nova York ou Los Angeles podem sentir uma

sensação de familiaridade, mas aqueles

em cidades menores ou áreas rurais

podem perceber essa diferença. Com-

preender essas disparidades regionais é

essencial para os estudantes dos EAU à

medida que se acostumam com o ambiente.

Por fim, a adaptação aos costumes ameri-

canos envolve compreender festas, rituais e

práticas sociais. Feriados como o Dia de

Ação de Graças e o Quatro de Julho podem

ser incomuns para os estudantes dos EAU,

embora a participação nessas festividades

ofereça uma oportunidade significativa de

conexão com a cultura local. Práticas como

dar gorjetas em restaurantes, cumprimentar

estranhos com um sorriso ou pequenas con-

versas durante encontros casuais podem

inicialmente parecer estranhas, mas se

tornam componentes essenciais da vida

cotidiana à medida que os estudantes se

adaptam.

Mentalidade Empreendedora e Desen-

volvimento Pessoal

Para os estudantes dos Emirados Árabes,

uma parte significativa de estudar nos EUA é

a capacidade de cultivar uma atitude

empreendedora. O sistema escolar dos EUA é

reconhecido pelo seu foco em invenção,

criatividade e pensamento crítico — atributos

Dra. Wendy Kaaki

Universidade Estadual do Novo

México, EUA

10

essenciais para o empreendedorismo.

Alunos dos EAU, especialmente aqueles

que almejam carreiras em negócios ou

tecnologia, estão em um ambiente que

fomenta a experimentação e incentiva a

iniciativa.

Um estudo de 2020 indica que vários

alunos dos Emirados nos Estados Unidos

são motivados pela cultura empreende-

dora que vivenciam no país, que difere

das

práticas

corporativas

mais

hierárquicas e avessas ao risco comu-

mente observadas nos EAU. Nos EUA, os

estudantes

são

incentivados

a

se

envolver em um pensamento inovador,

assumir riscos calculados e seguir suas

paixões, todos elementos essenciais

para o sucesso empreendedor. Essa

exposição à mentalidade empreende-

dora permite que os estudantes dos EAU

retornem à sua terra natal com novos

insights, alinhando-se com a crescente

valorização

do

empreendedorismo

como parte da ambição do país por

diversificação econômica e inovação.

A atitude empreendedora promove o

desenvolvimento pessoal. Através do

envolvimento com conceitos diversos,

colaboração com colegas de diferentes

origens culturais e confronto direto com

problemas, os estudantes cultivam resil-

iência e adaptabilidade. Essas carac-

terísticas são cruciais para lidar com as

ambiguidades das buscas acadêmicas

e

empreendimentos

profissionais

futuros.

Conclusão

As experiências dos alunos dos Emirados

Árabes que estudam nos EUA variam

caso a caso, mas envolvem o desen-

Ao se envolver com os

desafios e oportunidades

dos encontros

interculturais, os

estudantes dos EAU

adquirirão habilidades

essenciais que os

capacitarão para o sucesso

em um mundo cada vez

mais conectado

11

volvimento de habilidades pessoais e de

comunicação.

Seja

morando

com

uma

família anfitriã ou com um colega de quarto,

cada estudante passa por mudanças e

adaptações que serão benéficas para seu

crescimento pessoal. A cultura dos EUA não se

assemelha ao estilo de vida dos muçulmanos

ou suas famílias, onde mães, pais e a família

ou tribo estão no centro de suas vidas.

Tornar-se um futuro empreendedor envolve

transformar e compreender outros pontos de

vista, o que pode enriquecer a jornada educa-

cional. Ao se engajar com os desafios e opor-

tunidades dos encontros interculturais, os

estudantes dos EAU adquirirão habilidades

essenciais que os capacitarão para o sucesso

em um mundo cada vez mais conectado. A

integração de suas experiências vividas, junto

com a exposição a muitas normas culturais,

cultiva uma compreensão abrangente que

auxilia

os

estudantes

em

suas

buscas

acadêmicas e futuras carreiras, quando

retornarem para casa e compartilharem seus

conhecimentos e experiências com os outros.

Assim, eles estão emergindo como líderes

globais capazes de transformar o cenário

empresarial.

De um começo humilde

a um impacto global:

DESTAQUE DE LIDERANÇA

A visão do Professor Waqar Ahmad para

o futuro da Nazarbayev University

Professor Waqar, é um imenso prazer entre-

vistá-lo para a seção Destaque de Liderança

desta edição da UniNewsletter. Por favor,

comece delineando seu histórico profissional

e de pesquisa para nossos leitores, incluindo

seu caminho até a sua posição atual como

Presidente da Nazarbayev University (NU).

Agradeço por este privilégio.

Sou acadêmico e líder universitário “por acidente”.

Depois de deixar a escola aos 16 anos no Reino

Unido, trabalhei com catering, seguros, armazéns e

supermercados por nove anos antes de completar

meu bacharelado, enquanto trabalhava em tempo

integral em um restaurante na Escócia. Entrei na

Universidade de Bradford como estudante de

doutorado em 1986. Minhas publicações durante o

doutorado impressionaram meus orientadores e,

felizmente, ofereceram-me um cargo de professor

assistente orientado por pesquisa. Quatro anos

depois, fui nomeado professor associado na

notável Unidade de Pesquisa em Políticas Sociais

(SPRU) da Universidade, dirigida pela falecida

Professora Sally Baldwin. Em 1998, fui nomeado para

uma cátedra de pesquisa na Universidade de

Leeds, onde liderei o Centro Multidisciplinar de

Pesquisa em Atenção Primária.

Antes de ingressar no Executivo da Middlesex

University, trabalhei como Cientista Social Chefe no

Gabinete do Vice-Primeiro Ministro. Durante esses

anos, também servi em conselhos e comitês de

conselhos de pesquisa, Conselho de Financiamento

de Ensino Superior da Inglaterra, Pesquisa e

Desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde,

Fundação Joseph Rowntree, entre outros.

Após

Middlesex,

fui

Chanceler

(Reitor)

da

Universidade de Abu Dhabi (ADU) por quase seis

anos; tenho orgulho do que a faculdade, os

estudantes e a equipe conseguiram coletivamente

na ADU.

12

Professor Waqar Ahmad

Nazarbayev University

13

Me aposentei da ADU para assumir cátedras

visitantes na London School of Economics e na

Universidade

de

York.

Surgiu

então

a

oportunidade

de

liderar

a

NU.

É

uma

universidade com um potencial incrível. Não

consegui resistir à tentação e me sinto sortudo

por ser terem confiado em mim a tarefa de

elevar a NU ao palco mundial para pesquisa,

ensino, intercâmbio de conhecimento e vida

estudantil. Temos as pessoas e os recursos

para fazer isso e faremos isso como uma

comunidade.

Também sou grato a indivíduos como o

Professor Mark Baker e a falecida Professora

Sally Baldwin, que me nomearam com base no

meu

potencial.

Eles

me

ensinaram

a

importância de identificar e nutrir talentos.

Com sua vasta experiência em liderança

acadêmica

em

diversas

instituições,

como a ADU, como o senhor mencionou,

como suas experiências passadas influ-

enciaram seus objetivos e estratégias

para a NU?

Existem grandes semelhanças entre a ADU e a

NU. A NU tem a mesma idade que a ADU tinha

quando entrei na ADU. Assim como a ADU, a NU

é uma instituição ambiciosa e precoce, que já

alcançou muito em sua curta trajetória. A NU

tem recebido um financiamento generoso do

Estado,

atrai

estudantes

excepcionais,

construiu uma infraestrutura de pesquisa que

compete com as maiores instituições de

pesquisa dos EUA e do Reino Unido, está

profundamente

comprometida

com

o

desenvolvimento do Cazaquistão e da região e

é líder mundial em vida estudantil. Temos um

corpo docente de classe mundial, com

membros de mais de 60 países, o que nos

proporciona

oportunidades

invejáveis

de

colaboração. Somos membros fundadores da

Aliança das Universidades Asiáticas, um grupo

de 15 potências regionais em pesquisa e

ensino.

Meu objetivo é aproveitar todo esse sucesso da

Universidade e tornar a NU uma instituição de

primeira

linha

em

pesquisa,

ensino

e

experiência estudantil, catalisando melhorias

no ensino superior e na inovação. Pretendemos

aprimorar

nossas

pesquisas,

programas

interdisciplinares e parcerias, ao mesmo

tempo em que elevamos a experiência

estudantil. Embora atualmente ocupemos a

posição 501-600 no ranking da Times Higher

Education,

estou

confiante

de

que

alcançaremos melhorias significativas que

reflitam a força excepcional da instituição.

Nos últimos anos, a NU tem investido em

programas de pesquisa focados em

áreas como energia renovável e biotec-

nologia. Quais inovações ou projetos

específicos

dessas

áreas

mais

te

animam, e qual impacto o senhor prevê

para o Cazaquistão e para a região em

geral?

Somos

uma

instituição

relativamente

pequena, com cerca de 7.500 estudantes e

530 docentes (excluindo os profissionais

exclusivamente

dedicados

à

pesquisa),

portanto, somos seletivos quanto aos focos

de nossa pesquisa. Oferecemos aos nossos

alunos de graduação a oportunidade de

participar de projetos de pesquisa; cerca de

um quarto das nossas publicações contam

com coautoria de estudantes. Temos um

número

crescente

de

alunos

de

pós-graduação e, além dos doutorados

tradicionais (uma coorte em expansão),

estamos

introduzindo

doutorados

profissionais

em

áreas-chave

como

educação, negócios e políticas públicas.

Nossa pesquisa está focada em temas

cuidadosamente selecionados, cruciais para

o desenvolvimento da região — sistemas

inteligentes e interface homem-máquina;

energia, sustentabilidade e meio ambiente;

materiais

avançados

e

tecnologias

emergentes;

transformação

social

e

desenvolvimento de capital humano; saúde e

14

bem-estar;

e

mineração

e

geociências.

Apoiamos inovações, start-ups e projetos de

relevância nacional. Por exemplo, com o apoio

do governo do Cazaquistão, nosso Instituto de

Sistemas Inteligentes e Inteligência Artificial

(ISSAI) está desenvolvendo um modelo de

linguagem (LLM) em cazaque, que será

lançado em dezembro. Temos grupos de

pesquisa

com

relevância

internacional

trabalhando

com

energia

renovável,

especialmente baterias e células solares

inovadoras. A robótica médica está auxiliando

pacientes paralisados na recuperação da

mobilidade. Somos um parceiro chave no

movimento do Cazaquistão em direção à

digitalização e automação. Nosso Centro de

Ciências da Vida está envolvido tanto na

descoberta de medicamentos quanto em

pesquisa fundamental. Além disso, temos

uma

das

maiores

concentrações

de

pesquisadores na área interdisciplinar de

estudos eurasiáticos. Estes são apenas alguns

exemplos, entre muitos outros que eu poderia

citar.

A NU é conhecida por dar grande ênfase

às áreas de STEM (Ciência, Tecnologia,

Engenharia e Matemática), com centros

de pesquisa dedicados à robótica, ener-

gia e inteligência artificial. Qual papel o

senhor acredita que a educação técnica

desempenhará no futuro global e como a

NU contribui com essa visão?

“Então surgiu a

oportunidade de

liderar a NU. É uma

universidade com

um potencial

incrível. Não

consegui resistir à

tentação e me

sinto sortudo por

terem confiado

em mim a tarefa

de elevar a NU”

Com mais de 120 clubes e sociedades vibrantes e 5.000 estudantes vivendo no campus, a vida estudantil na Nazarbayev University é de classe mundial.

15

Não temos apenas uma reputação sólida nas

áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e

Matemática. Temos a melhor escola de

negócios da região, e nossa escola de políticas

públicas está fazendo uma forte contribuição

para o desenvolvimento de líderes no setor

público. Além disso, os ex-alunos da nossa

escola de educação estão agora ocupando

posições de liderança no ensino superior no

Cazaquistão,

incluindo

quatro

nomeados

reitores,

e

nossa

pesquisa

em

estudos

eurasiáticos está atraindo atenção global.

Nossos estudantes, independentemente do

curso, têm aulas de matemática e Inglês no

primeiro ano, o que garante que todos sejam

altamente capacitados. Eles desenvolvem

habilidades de resolução de problemas e

habilidades transferíveis, independentemente

da área escolhida, o que os torna altamente

adaptáveis. Isso é fundamental, pois as

soluções para os desafios que enfrentaremos

cada vez mais exigirão que talentos de

diversas disciplinas trabalhem em conjunto.

Dito isso, estamos atentos às necessidades

nacionais e regionais, e por isso estamos

lançando um modelo de graduação em

medicina para contribuir com os esforços de

modernização do sistema de saúde, novos

cursos de graduação em ciências digitais e

inteligência artificial, além de programas em

diplomacia e em estudos eurasiáticos.

Como a NU apoia a diversidade em áreas

onde certos grupos demográficos, par-

ticularmente as mulheres, são sub-rep-

resentados? Existem iniciativas voltadas

para promover a participação feminina

nas disciplinas STEM?

Temos um número quase igual de alunas e

alunos em geral, incluindo nas áreas de STEM.

Tenho orgulho de que as mulheres tenham

uma representação tão forte em STEM na

Universidade,

em

taxas

superiores

às

encontradas no Reino Unido e na América do

Norte.

A

entrada

na

Universidade

é

competitiva, equivalente aos padrões exigidos

para

estudantes

que

ingressam

em

instituições de médio porte do Russell Group no

Reino Unido. Isso pode excluir candidatos de

regiões onde o desempenho escolar não é tão

bom. Por isso, admitimos estudantes com

potencial no “ano zero”. Nossa experiência tem

mostrado

que,

após

esse

ano,

esses

estudantes conseguem ter um desempenho

equivalente aos alunos que entram na NU com

altas

qualificações

escolares.

Também

estamos investindo no desenvolvimento de

docentes e funcionários. Para garantir que a

NU seja líder em igualdade e diversidade,

criamos uma unidade dedicada a essa área.

Agradecemos muito, Professor Waqar,

por dedicar seu tempo para responder às

nossas perguntas. Por fim, pensando no

futuro, há projetos ou iniciativas em

andamento na NU que o senhor está par-

ticularmente ansioso para ver se concre-

tizarem? E como esses projetos se alin-

ham com a ambição da NU de ser uma

líder no ensino superior internacional?

O foco principal é aproveitar nossos sucessos e

utilizar o grande potencial da NU. Estamos

investindo para fortalecer ainda mais a

qualidade do nosso ensino, aprimorar o

desenvolvimento dos nossos docentes e

também desenvolver diplomas conjuntos com

universidades seletivas e de alto nível.

Estamos

comprometidos

em

tornar

a

experiência estudantil uma das melhores do

mundo.

Nosso

governo

estudantil

é

excepcional, liderado pela notável presidente

do Conselho Estudantil, Ayana Batyrbayeva, e

está organizando eventos regionais para

apresentar

seu

trabalho,

incluindo

competições de pesquisa para graduação e a

continuidade da conferência anual sobre

O Conselho Estudantil, sob a presidência de Ayana

Batyrbayeva, trabalha com a liderança da Universidade

para manter uma vida estudantil vibrante no campus.

16

integridade acadêmica, liderada pelos alunos.

Estamos fazendo um esforço significativo para

conquistar novas acreditações institucionais

(QAA), de escola (AACSB) e de programas

(ABET para sete cursos). Mais de 98% dos

nossos graduados estão empregados ou

continuam seus estudos. Também iremos

fortalecer o apoio à empregabilidade e ao

desenvolvimento de carreira para nossos

ex-alunos. Com um impacto de citação

ponderado por campo de 1,94, nossa pesquisa

é internacionalmente competitiva. Estamos

trabalhando para garantir a uniformidade da

excelência em todas as áreas do nosso

portfólio de pesquisa e fortaleceremos as

colaborações de pesquisa em todo o mundo.

Nossa nova estratégia de engajamento terá

um

foco

claro

em

intercâmbio

de

conhecimento

e

apoio

às

nossas

comunidades

de

stakeholders,

e

agora

também estamos iniciando uma campanha

para atrair alunos internacionais para o nosso

campus.

Gostaria de aproveitar este momento para

prestar uma homenagem ao nosso estimado

Reitor, Professor Ilesanmi Adesida, pelo sucesso

alcançado nos últimos oito anos. Por ele estar

se aposentando de seu cargo, estamos

comprometidos em encontrar uma pessoa de

igual estatura para substituí-lo.

Por fim, embora valorizemos nossa autonomia

institucional, consagrada em uma legislação

universitária

específica,

continuaremos

a

refletir as necessidades do país e da região em

nossos programas acadêmicos, de pesquisa e

intercâmbio de conhecimento. Através de

nossos

graduados,

da

pesquisa

e

do

intercâmbio

de

conhecimento,

a

NU

continuará

sendo

um

motor

para

o

desenvolvimento nacional.

Tenho orgulho de

que as mulheres

tenham uma

representação

tão forte em STEM

na Universidade,

em taxas mais

altas do que você

encontra no Reino

Unido e na

América do Norte

O Reitor Ilesanmi Adesida, que se aposentará em dezembro, desenvolveu uma infraestrutura de pesquisa competitiva internacionalmente na

NU e atraiu professores de destaque para a universidade. A NU contratou a Odgers Berndston para buscar o substituto do Professor Adesida.

17

De acordo com Maider Elortegui, as Escolas

Normais rurais foram criadas após a

Revolução Mexicana sob a influência de

ideias políticas voltadas para erradicar a

pobreza por meio da educação. Na

verdade, foram as primeiras instituições de

ensino superior desse tipo estabelecidas

na América Latina. Desde o início, elas

funcionaram como internatos para reduzir

a desigualdade enfrentada pelas

populações mais vulneráveis, já que essas

instituições

oferecem

aos

estudantes

alimentação, material escolar, uniformes,

serviços de assistência social e bolsas de

tutoria.

A Escola Normal Rural Ricardo Flores Magón

(ENRRFM) está localizada no município de

Saucillo, no estado de Chihuahua, no norte

do México. Fundada em 1931, oferece o curso

FOCO REGIONAL

Estudantes indígenas de uma

Escola Normal rural mexicana:

O equilíbrio de uma política de ação afirmativa

Escola Normal Rural Ricardo

Flores Magón, México

Dra. Ana Arán

18

de bacharelado em educação básica e

educação infantil para jovens mulheres de

baixa renda. Atualmente, a escola conta

com cerca de 400 estudantes, a maioria

oriunda dos estados de Chihuahua e

Durango.

No ano letivo de 2017-2018, a escola

implementou

uma

política

de

ação

afirmativa,

reservando

15

vagas

para

estudantes

indígenas

cursarem

o

bacharelado em educação básica. No ano

seguinte, o número de vagas reservadas

passou para 20, número que se mantém até

hoje. O principal objetivo dessa iniciativa é

permitir

que

essas

mulheres,

ao

se

formarem,

atuem

como

professoras

bilíngues

em

contextos

indígenas

e

contribuam para a preservação de suas

línguas nativas.

Políticas de Ação Afirmativa

Como afirma Flor Marina Bermúdez-Urbina,

essas ações têm como objetivo criar

condições para o acesso e a retenção de

segmentos da população excluídos da edu-

cação formal e do ensino superior. As des-

vantagens enfrentadas por essa população

são resultado do seu contexto socioeco-

nômico, bem como de práticas discrimi-

natórias históricas. De acordo com Marion

Lloyd, um dos objetivos das políticas de ação

afirmativa é aumentar o acesso ao ensino

superior para populações marginalizadas

ou vulneráveis. Essas práticas funcionam

como medidas compensatórias, com a

intenção de nivelar, reforçar e complemen-

tar as diversas condições dos estudantes

para acessar os sistemas educacionais.

Alunos indígenas na ENRRFM

A maioria dos candidatos indígenas que se

inscrevem para o exame de ingresso na

Escola Normal Rural Ricardo Flores Magón

(ENRRFM) pertence aos grupos indígenas

Tarahumara e Tepehuán do Norte, ambos do

estado de Chihuahua, onde essa instituição

de ensino superior está localizada. Também

há um número significativo de jovens

mulheres do grupo nativo Tepehuán do Sul,

oriundas do estado vizinho de Durango. Nos

últimos anos, estudantes de vários estados

do norte do México se matricularam,

No ano letivo de

2017-2018, a escola

implementou uma

política de ação

afirmativa

reservando 15 vagas

para estudantes

indígenas cursarem

o bacharelado em

educação básica

19

incluindo os pertencentes ao grupo indígena

Mayo de Sonora, bem como do sul:

Tlapaneco

e

Nahuatl

de

Guerrero,

e

Zapoteco e Mixteco do estado de Oaxaca.

Essas informações estão apresentadas no

mapa a seguir.

A experiência dos alunos indígenas na

ENRRFM

Os cinco eixos das Escolas Normais

Rurais

Tatiana Coll, acadêmica especializada na

história e evolução das Escolas Normais

rurais, observa que esse tipo de instituição

de ensino superior funciona em torno de

cinco eixos: produtivo, acadêmico, esportivo,

cultural e político. O Ministério da Educação

mexicano supervisiona a área acadêmica; a

vertente produtiva envolve a formação de

professores rurais em agricultura e agricul-

tura, enquanto a dimensão cultural inclui

oficinas como danças folclóricas e clubes de

música. A componente desportiva conta

com diversas equipes e com a organização

de competições interescolares. Finalmente,

o eixo político é administrado pela Feder-

ação Mexicana de Estudantes Agricultores

Socialistas do México, e cada Escola Normal

possui um Comitê de Orientação Política e

Ideológica.

Os

estudantes

indígenas

participam

ativamente

desses

eixos,

com

notável

envolvimento

em

grupos

culturais

e

esportivos como basquete, vôlei, futebol e

softball. Eles também fazem parte da torcida

e da banda marcial. Além disso, atuam

como

representantes

de

classe

e

desempenham

papéis

importantes

no

conselho estudantil.

Apresentando

suas

tradições

e

preservando sua língua nativa

Os alunos indígenas da ENRRFM participam

de atividades que promovem a diversidade

cultural por meio de diversas ações e

estratégias. Esta iniciativa tem dois objetivos

principais: sensibilizar professores e alunos

para a riqueza cultural dos costumes e

tradições dos grupos nativos e reforçar o

sentido de identidade e a ligação dos

estudantes indígenas às suas comunidades

de origem.

Um exemplo dessas atividades ocorre no dia

21 de fevereiro, quando a escola comemora

o Dia Internacional da Língua Materna, e no

Um dos objetivos das

políticas de ação

afirmativa é aumentar o

acesso ao ensino superior

para populações

marginalizadas ou

vulneráveis. Essas

práticas funcionam

como medidas

compensatórias, com a

intenção de nivelar,

reforçar e complementar

as diversas condições

dos estudantes para o

acesso aos sistemas

educacionais.

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