UN- PORTUGUESE-Feb 2025

NESTA EDIÇÃO

Edição Especial

Tópicos Especiais

Dra. Ghalia Nassreddine

Universidade Rafik Hariri,

Líbano

Dr. Obada Al-Khatib

Universidade de Wollongong

em Dubai, EAU

Dr. Mohamad Nassereddine

Universidade de Wollongong

em Dubai, EAU

Dr. Tanujit Chakraborty

Universidade Sorbonne Abu

Dhabi, EAU

Perspectivas Acadêmicas

Professora Derin Ural

Universidade de Miami, EUA

Destaque de Liderança

Professor Khalid Hussain

Reitor de Engenharia e

Computação, AURAK, EAU

Perspectivas da Indústria

Dr. Waddah Ghanem Al Hashmi

Presidente do Comitê Federal de

Saúde e Segurança

Ocupacional nos EAU

Voz do Aluno

Nour Mostafa Kamel

AURAK, EAU

Tendências

Anne-Gaelle Colom

Universidade de Westminster,

Reino Unido

Era da IA

Generativa

Fevereiro 2025

Conteúdo

10

Editorial

Bem-vindos à UniNewsletter

Laura Vasquez Bass

04

Tópicos Especiais

Desvendando o papel da IA Generativa na

educação em Engenharia: Uma visão geral

das oportunidades e desafios

Dra. Ghalia Nassreddine, Departamento de

Sistemas de Informação e Computação,

Universidade Rafik Hariri, Líbano; Dr. Obada

Al-Khatib, Escola de Engenharia,

Universidade de Wollongong em Dubai, EAU;

Dr. Mohamad Nassereddine, Escola de

Engenharia, Universidade de Wollongong

em Dubai, EAU

Tópicos Especiais

Transformando a

Ciência de Dados em

Ação: Estudos de caso

na construção de um

futuro sustentável com

Engenharia de Ciência

de Dados

Dr. Tanujit Chakraborty

Professor Associado de

Estatística e Ciência de

Dados, Universidade

Sorbonne Abu Dhabi,

EAU

06

02 | Edição Especial

Perspectivas da

Indústria

Voz do Aluno

Tendências

30

18

26

Destaque de Liderança

Adotando soluções baseadas em IA

na Universidade Americana de Ras Al

Khaimah (AURAK):

Uma entrevista com o Professor

Khalid Hussain, reitor de Engenharia

e Computação

O papel dos engenheiros na

sociedade e na indústria: uma

habilidade para a vida, e não

necessariamente uma profissão

Dr. Waddah S. Ghanem Al

Hashmi, Presidente do Comitê

Federal de Saúde e Segurança

Ocupacional nos EAU e Diretor

Sênior no Setor de Energia

14

Perspectivas

Acadêmicas

Ensinando uma turma de

Engenharia com um chatbot

como assistente de ensino

Professora Derin Ural, Faculdade

de Engenharia, Universidade de

Miami, EUA

Da Resistência à

Integração: Uma reflexão

sobre minha jornada

com IA na Academia

Nour Mostafa Kamel,

Bacharel em Ciência da

Computação e

Engenharia,

Universidade Americana

de Ras Al Khaimah

(AURAK), EAU

34

Adaptando-se ao futuro:

Preparando-se para o

desenvolvimento de

software na era da IA

Generativa

Anne-Gaelle Colom,

Vice-Diretora de Escola e

Diretora de Ensino e

Aprendizagem, Escola de

Ciência da Computação e

Engenharia, Universidade

de Westminster, Londres,

Reino Unido

03

Edição Especial |

Tem sido uma

experiência

maravilhosa trabalhar

com este amplo grupo

de engenheiros, e

esperamos

sinceramente que você

aproveite os insights

interessantes e as

palavras de sabedoria

que eles têm a oferecer.

Bem-vindos

à UniNewsletter

Embora eu me sinta extremamente feliz por ter

escolhido

seguir

estudos

avançados

nas

Humanidades — afinal isso me preparou para

meu trabalho na UniNewsletter — ler esta edição

fascinante sobre diversas trajetórias na engen-

haria e IA me fez invejar os estudantes sortudos

que têm esse percurso de aprendizado pela

frente. Esta edição especial, “Engenharia na era

da IA Generativa”, é composta por um conjunto

verdadeiramente

diverso

de

engenheiros,

desde aqueles formados em engenharia civil,

mecânica ou ambiental até engenheiros de

software. Reconhecendo o enorme impacto da

IA na educação, achamos oportuno destacar os

crescentes debates sobre como uma disciplina

altamente técnica como a engenharia se bene-

ficia

enormemente

das

capacidades

de

otimização da IA, mas também considerar os

riscos que ela representa na educação em

engenharia. No artigo "Voz do Aluno" desta

edição, Nour Mostafa Kamel descreve essa

dialética como as "promessas e perigos" da IA.

Queríamos explorar como estudantes de diver-

sas áreas da engenharia podem desenvolver a

alfabetização em IA necessária para a colo-

cação profissional nos dias de hoje, ao mesmo

tempo que adquirem toda a aptidão prática e

técnica fundamentais para a engenharia. Os

colaboradores desta edição responderam ao

nosso chamado com reflexões profundas e

ofereceram muitos conselhos instrutivos para

instituições com programas de engenharia e

para os estudantes já matriculados ou em fase

de candidatura. Eles também levantaram suas

próprias questões, que temos certeza de que

garantirão uma leitura esclarecedora.

Começamos a edição com o primeiro de dois

artigos na seção Tópicos Especiais, um artigo

altamente informativo coescrito pela Dra.

Ghalia Nassreddine, da Universidade Rafik Hariri,

no Líbano, e pelos Drs. Obada Al-Khatib e

Mohamad Nassereddine, da Universidade de

Wollongong em Dubai, EAU. Eles trazem uma

discussão detalhada e panorâmica sobre as

oportunidades e desafios enfrentados pelas

instituições ao incorporar a IA na educação em

engenharia. Para aqueles que buscam com-

preender como as tecnologias de IA podem ser

Laura Vasquez Bass

04 | Edição Especial

Editorial

usadas para contribuir com a experiência dos

estudantes, este artigo é leitura obrigatória. O

segundo artigo da seção Tópicos Especiais é do

Dr. Tanujit Chakraborty, Professor Associado de

Estatística e Ciência de Dados na Universidade

Sorbonne Abu Dhabi, EAU. Ele discute como a

engenharia de ciência de dados está impulsion-

ando o progresso em relação aos Objetivos de

Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Técnicas

como

aprendizado

de

máquina,

previsão e IA generativa transformam dados

brutos em ferramentas acionáveis em áreas

como saúde pública, estabilidade econômica e

planejamento urbano.

Na seção Perspectivas Acadêmicas, a professora

Derin Ural, da Universidade de Miami (EUA), explo-

ra a integração de um chatbot de IA como

assistente de ensino em seu curso de engenharia.

O chatbot "Kay" foi desenvolvido para alinhar-se

aos objetivos do curso, oferecendo suporte em

tempo real, explicações personalizadas e resu-

mos de tópicos complexos. Dra. Ural relata que os

alunos consideraram o chatbot uma ferramenta

acessível e valiosa, especialmente para aqueles

que equilibram trabalho e estudos. Ela conclui

que, embora o chatbot não tenha – e nem

poderia – ter substituído a instrução humana,

aprimorou o aprendizado e o engajamento,

demonstrando o potencial da IA para comple-

mentar os métodos de ensino tradicionais.

Em nossa seção Destaque de Liderança, apre-

sentamos o Professor Khalid Hussain, Reitor de

Engenharia e Computação da Universidade

Americana de Ras Al Khaimah (AURAK). Professor

Khalid discute sua carreira acadêmica de mais

de três décadas, cujo início se deu no Reino Unido.

Ele explica em detalhes como a AURAK – a primei-

ra instituição dos EAU a oferecer um bacharelado

em IA – está se adaptando para treinar seus

alunos de forma eficaz na era da IA. Ele também

oferece valiosos insights sobre como a IA deve ser

utilizada para preservar a integridade das habili-

dades essenciais de engenharia, fundamentais

para todos os engenheiros.

Após a contribuição do Professor Khalid, estamos

extremamente animados em apresentar a vocês

uma nova seção nesta edição da UniNewsletter.

Temos o privilégio de apresentar um artigo do Dr.

Waddah S. Ghanem Al Hashmi, Presidente do

Comitê Federal de Saúde e Segurança Ocupa-

cional (OSH) nos EAU e Diretor Sênior no setor de

energia,

em

nossa

seção

Perspectivas

da

Indústria. Como o título sugere, nosso objetivo é

oferecer aos leitores da UniNewsletter a oportuni-

dade de ouvir profissionais experientes que atuam

ativamente no mercado. Dr. Waddah possui um

doutorado em Engenharia Ambiental pela Cardiff

University, no País de Gales, Reino Unido, construiu

uma carreira de enorme sucesso e é reconhecido

mundialmente como uma autoridade em Gover-

nança e Liderança em Saúde, Segurança e Meio

Ambiente (HSE) e Organizações de Alta Confiabili-

dade.

Dada a trajetória diversificada de sua carreira, ele

escreve um artigo instigante sobre as habilidades

únicas dos engenheiros, sugerindo que eles têm

muito a contribuir além dos limites imediatos de

sua disciplina.

Como já mencionei, a colaboradora da seção Voz

do Aluno desta edição é Nour Mostafa Kamel,

bacharel em Engenharia da Computação na

AURAK. Nour escreve sobre sua experiência com o

boom da IA, que ocorreu no meio de seus estudos,

refletindo sobre como seu ceticismo inicial em

relação às ferramentas de IA diminuiu ao longo do

tempo. Ela descreve com paixão as alegrias e

dificuldades de aprender programação “manual-

mente”, antes que assistentes de IA estivessem

disponíveis para resolver os inevitáveis erros. Seu

artigo chega a uma conclusão instrutiva: Nour

sugere que as universidades devem considerar

limitar a exposição excessiva à IA para alunos

iniciantes, pois isso pode privá-los da experiência

essencial de enfrentar a frustração e desenvolver

habilidades de resolução de problemas.

Encerrando esta edição em nossa seção Tendên-

cias, temos Anne-Gaelle Colom, da Universidade

de Westminster, em Londres, Reino Unido. Suas

palavras são uma leitura essencial para engenhei-

ros de software que estão ingressando na área.

Anne-Gaelle apresenta de forma brilhante como a

IA não apenas transformou o conjunto de habili-

dades

exigidas

dos

desenvolvedores,

mas

também redefiniu o mercado de trabalho—desta-

cando, de maneira extremamente útil, o que os

profissionais devem fazer para se manterem com-

petitivos no cenário atual. Assim como Nour,

Anne-Gaelle enfatiza a importância da superação

de desafios no processo de aprendizado, argu-

mentando que, sem essa experiência, os alunos

deixarão de desenvolver habilidades cruciais de

pensamento crítico e análise, fundamentais para

seu sucesso a longo prazo.

Tem sido uma experiência maravilhosa trabalhar

com este amplo grupo de engenheiros, e esper-

amos sinceramente que você aproveite os insights

interessantes e as palavras de sabedoria que eles

têm a oferecer.

05

Edição Especial |

ser considerada o próximo grande

passo na evolução digital. Ela se

tornou uma das tecnologias mais

promissoras e significativas. Suas

aplicações no ensino superior, espe-

cialmente nos campos da engenha-

ria

elétrica

e

de

computação,

permitem a produção de conteúdo

novo e original que se assemelha ao

trabalho criado por humanos. Essa

abordagem tem o potencial de

transformar a área, criando um

ambiente

de

aprendizado

mais

interativo e envolvente em com-

paração com as ferramentas tradi-

cionais, tornando a educação mais

participativa.

Essas

ferramentas

podem

aprimorar

os

processos

cognitivos e melhorar o desempen-

ho acadêmico, pois aumentam os

níveis

de

engajamento

dos

estudantes. Além disso, a IA genera-

tiva

contribui

para

oferecer

experiências de aprendizado mais

personalizadas, como sistemas de

Tópicos Especiais

IA Generativa é um tipo de

inteligência artificial (IA) que

produz

conteúdo

novo

e

original, com notável semel-

hança ao criado por humanos.

Enquanto os sistemas tradicionais

de IA se concentram em prever ou

classificar valores e categorias, a IA

generativa busca gerar conteúdo

adequado

às

solicitações

dos

usuários. O conteúdo gerado pode

incluir

textos,

imagens,

gráficos,

áudios ou vídeos. No início da

década de 2010, a IA generativa

começou a ganhar destaque, impul-

sionada pelo grande avanço das

técnicas de aprendizado profundo

(deep learning) e por modelos trans-

formadores como a OpenAI e o

ChatGPT. Ela se tornou uma ferra-

menta poderosa para criar conteú-

dos realistas e envolventes, capazes

de imitar a criatividade humana.

A integração da IA Generativa pode

A integração da

IA generativa

pode ser

considerada o

próximo

grande passo

na evolução

digital. Ela se

tornou uma das

tecnologias

mais

promissoras e

significativas.

Desvendando o papel de

IA generativa na

Educação em Engenharia:

| Special Edition

50

Uma visão geral das oportunidades e desafios

06

Dra. Ghalia Nassreddine,

Departamento de Sistemas de Informação e Computação, Universidade Rafik Hariri, Líbano

Dr. Obada Al-Khatib,

Escola de Engenharia da Universidade de Wollongong em Dubai, EAU

Dr. Mohamad Nassereddine

Escola de Engenharia, Universidade de Wollongong em Dubai, EAU

| Edição Especial

tutoria inteligente que se adaptam

às necessidades e preferências

individuais dos alunos. Esses siste-

mas ajudam a identificar as dificul-

dades

específicas

de

cada

estudante e focam na melhoria

dessas áreas mais frágeis. Muitas

organizações, como a Organização

das

Nações

Unidas

para

a

Educação, a Ciência e a Cultura

(UNESCO), destacam a importân-

cia do aprendizado personalizado e

apoiam abordagens que atendam

às

diversas

necessidades

dos

alunos. Além disso, os sistemas de

tutoria inteligente utilizam a IA

generativa

para

monitorar

o

desempenho dos alunos e fornecer

feedback em tempo real. Isso

possibilita o ajuste das técnicas de

ensino para atender às necessi-

dades individuais, permitindo que

professores de engenharia elétrica e

de computação criem materiais

mais interativos, aumentem o enga-

jamento dos alunos e os preparem

melhor para o mercado de trabalho.

As tecnologias de IA generativa

também podem oferecer suporte a

estudantes

com

necessidades

educacionais especiais. Por exemplo,

ferramentas de conversão de fala

para texto baseadas em IA, como o

Microsoft

Translator,

auxiliam

estudantes com deficiência auditiva,

enquanto outros aplicativos de IA

fornecem tradução simultânea para

a linguagem de sinais. Ferramentas

como o ECHOES utilizam IA para

ajudar crianças com autismo a

desenvolver habilidades de comuni-

cação social por meio de simulações

interativas, demonstrando a capaci-

dade da IA de enfrentar diversos

desafios educacionais.

A

IA

generativa

também

pode

empregar

realidade

virtual

e

aumentada para criar ambientes de

Dra. Ghalia Nassreddine

Dr. Obada Al-Khatib

Dr. Mohamad Nassereddine

07

Edição Especial |

Estudante usando um laboratório virtual gerado por uma ferramenta de IA

“A IA generativa

pode ajudar

professores de

engenharia elétrica

e de computação a

projetar cursos,

recomendando

estruturas,

pré-requisitos e

sequenciamento

com base nos

objetivos

educacionais da

engenharia e nas

tendências da

indústria.”

aprendizado baseados em simu-

lação,

como

metodologias

de

ensino

baseadas

em

jogos

(game-based learning).

O aprendizado baseado em simu-

lação é um tipo de aprendizado

empírico no qual os estudantes

precisam lidar com desafios com-

plexos em ambientes controlados,

interagindo

com

cenários

que

reproduzem situações da vida real.

Esse método é mais eficaz do que a

maioria das aulas baseadas em

vídeos, pois ajuda na retenção do

conhecimento.

Além

disso,

os

cenários

são

padronizados,

garantindo que as respostas dos

alunos sejam consistentes e que

eles

aprendam

exatamente

os

métodos necessários para desem-

penhar tarefas em determinadas

áreas.

Por

exemplo,

conforme

ilustrado nas imagens abaixo, a IA

generativa pode ser usada para

criar laboratórios virtuais, permitin-

do que os estudantes interajam

com simulações de sistemas de

energia renovável e otimizem os

resultados de um sistema híbrido de

energia fotovoltaica, eólica e de

rede

elétrica.

Aqui,

observamos

alunos projetando um sistema foto-

voltaico utilizando um laboratório

virtual gerado por uma ferramenta

de IA.

A IA generativa pode ajudar profes-

sores de engenharia elétrica e de

computação

a

projetar

cursos,

recomendando estruturas, pré-req-

uisitos e sequenciamento com base

nos

objetivos

educacionais

da

engenharia e nas tendências da

indústria. Tecnologias baseadas em

IA generativa podem ajudar na

produção de livros didáticos, notas

de aula e modelos interativos, econ-

omizando tempo dos instrutores e

garantindo a relevância do conteú-

do. Além disso, ferramentas de aval-

iação e feedback impulsionadas por

IA

generativa

podem

otimizar

processos e reduzir a carga de

trabalho

do

corpo

docente.

A

ilustração a seguir orienta as institu-

ições sobre como integrar a IA

generativa em seus sistemas.

Para integrar a IA generativa aos

08 | Edição Especial

Para integrar a IA generativa

aos quadros institucionais,

os departamentos de

engenharia devem primeiro

identificar áreas aplicáveis,

como suporte ao estudante,

administração ou

desenvolvimento curricular.

Os objetivos devem estar

alinhados com os resultados

de aprendizagem do

programa de engenharia,

com a contribuição de

professores e funcionários

para atender expectativas e

preocupações.

quadros institucionais, os departamentos

de engenharia devem primeiro identificar

áreas aplicáveis, como suporte ao aluno,

administração

ou

desenvolvimento

curricular.

Os

objetivos

devem

estar

alinhados

com

os

resultados

de

aprendizagem do programa de engenha-

ria, com a contribuição de professores e

funcionários para atender expectativas e

preocupações. A escolha das ferramentas

de IA adequadas—como chatbots e

recomendações de conteúdo baseadas

em IA—deve estar alinhada ao orçamento

e aos objetivos institucionais. A construção

de infraestruturas de dados robustas

garantirá a conformidade com regulam-

entações como GDPR e HIPAA, enquanto

treinamentos

para

professores

e

funcionários serão essenciais para o uso

eficaz dessas ferramentas. Além disso,

educar os alunos sobre o papel e os

benefícios da IA pode estimular sua

participação e proporcionar um feedback

valioso sobre o impacto da tecnologia no

aprendizado

e

na

administração

acadêmica.

Apesar de todos os benefícios da incorpo-

ração da IA generativa no ensino superior

de engenharia, essa integração pode

trazer diversos desafios, conforme ilustra-

do abaixo:

Origem dos dados: Os sistemas de IA

generativa analisam dados massivos

que podem estar sujeitos a uma

governança

inadequada,

origem

duvidosa, utilização não consentida

ou parcialidade. Assim, pode haver

uma grande quantidade de erros.

Direitos autorais e exposição legal:

Grandes bancos de dados - que

podem ser produzidos por fontes difer-

entes e não claras - são usados para

treinar ferramentas generativas de IA.

Assim, os resultados da IA podem violar

a propriedade intelectual e produzir

ameaças legais e de reputação.

Violações de privacidade de dados: O

conjunto de dados usado para treinar

Large Language Models (LLMs) pode

incluir informações de identificação

pessoal Os desenvolvedores devem

garantir a conformidade com as leis de

privacidade, excluindo ou removendo

essas informações.

Divulgação de informações confiden-

ciais: O aumento da acessibilidade às

ferramentas de IA pode levar ao com-

partilhamento

acidental

de

infor-

mações confidenciais, como dados de

pacientes ou estratégias proprietárias.

Governança, diretrizes e comunicação

claras são necessários para proteger

informações confidenciais e proprie-

dade intelectual.

Para enfrentar esses desafios e promover o

uso responsável da IA na educação em

engenharia, é fundamental desenvolver

frameworks éticos que priorizem transpar-

ência, justiça e responsabilidade. Além

disso, as instituições devem fortalecer as

medidas de cibersegurança para proteger

dados sensíveis de todos os envolvidos.

1.

3.

4.

2.

09

Edição Especial |

Estudos de caso na construção de um futuro

sustentável com Engenharia de Ciência de Dados

Transformando a Ciência

de Dados em Ação:

Dr. Tanujit Chakraborty

Professor Associado de Estatística e Ciência de Dados

Universidade Sorbonne Abu Dhabi, EAU

Tópicos Especiais

10 | Edição Especial

s Objetivos de Desen-

volvimento Sustentável

(ODS) da ONU—parte da

Agenda

2030—repre-

sentam um plano global para

enfrentar desafios urgentes, como

saúde pública, pobreza, desigual-

dade,

sustentabilidade

e

ação

climática. Alcançar esses objetivos

ambiciosos exige mais do que

apenas ideias; demanda soluções

que conectem a teoria à imple-

mentação prática. É nesse contexto

que a engenharia de ciência de

dados se destaca, combinando o

poder da inteligência artificial (IA) e

abordagens

inovadoras

para

desenvolver ferramentas práticas

que geram impacto real.

Ao

aplicar

técnicas

como

aprendizado de máquina, mod-

elagem preditiva e previsão de

séries temporais, engenheiros e

cientistas de dados podem trans-

formar dados brutos em insights

acionáveis. No entanto, a jornada

dos dados até a ação não está

isenta de desafios. Questões como

o acesso a dados confiáveis, a

escalabilidade das soluções e a

adaptação

de

frameworks

a

condições complexas do mundo

real continuam sendo obstáculos

fundamentais.

Colaborações

recentes—como o acordo entre os

governos dos EAU e da França para

o avanço da IA—demonstram o

reconhecimento

crescente

da

ciência de dados como uma disci-

plina de engenharia com potencial

de superar esses obstáculos e

impulsionar o progresso global.

Neste

artigo,

vamos

explorar

alguns exemplos reais em que a

engenharia de ciência de dados

proporcionou

soluções

impactantes alinhadas com os

Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável. Esses casos demon-

stram como essas ferramentas

estão moldando um futuro mais

sustentável.

Estudo de caso 1: Projetando

ferramentas de IA para aplica-

tivos de saúde móvel (mHealth)

Imagine

receber

uma

men-

sagem

motivacional

no

seu

celular incentivando você a dar

uma caminhada ou praticar

mindfulness.

Esses

pequenos

estímulos, impulsionados pela

engenharia de ciência de dados,

fazem parte de intervenções de

saúde móvel (mHealth) projeta-

das para melhorar o bem-estar.

Com a crescente dependência

das

tecnologias

móveis,

os

aplicativos de mHealth desem-

penham um papel essencial na

redução das desigualdades em

saúde e na promoção do ODS 3:

Saúde e Bem-Estar.

Do ponto de vista da engenharia,

desenvolver

ferramentas

de

mHealth envolve a criação de

algoritmos que se adaptam e

otimizam em tempo real. Por

exemplo,

o

aprendizado

por

reforço (um tipo de IA) permite

que esses sistemas aprendam

quais mensagens geram maior

impacto para os usuários. Em um

de nossos projetos, desenvolve-

mos um algoritmo híbrido com-

binando

amostragem

de

Thompson

(um

método

de

aprendizado por reforço) com

modelos

estatísticos

para

aumentar a eficácia de mensa-

“A jornada dos dados

até a ação não está

isenta de desafios.

Questões como o

acesso a dados

confiáveis, a

escalabilidade das

soluções e a

adaptação de

frameworks a

condições complexas

do mundo real

continuam sendo

obstáculos

fundamentais.”

11

Edição Especial |

gens motivacionais em aplica-

tivos de mHealth. Esse método foi

aplicado no aplicativo “Drink Less”,

que auxilia usuários a reduzir o

consumo perigoso de álcool. Os

mesmos princípios podem ser

expandidos para aplicativos de

mindfulness e atividade física,

demonstrando como ferramentas

de IA podem ser projetadas para

enfrentar desafios diversos na

área da saúde.

Estudo de caso 2: Ferramentas de

previsão

para

crescimento

econômico e gestão de epidemi-

as

A previsão é um pilar fundamental

da ciência e da engenharia—seja

para calcular a trajetória de um

foguete ou antecipar o aumento

dos preços ao consumidor. No

contexto do ODS 8: Trabalho

Decente e Crescimento Econômi-

co, previsões precisas ajudam

formuladores

de

políticas

a

desenvolver

estratégias

econômicas eficazes. Por exemp-

lo, projetamos um modelo de rede

neural de conjunto, chamado

FEWNet, para prever as taxas de

inflação em economias emergen-

tes, como Brasil, Rússia, Índia e

China.

Combinando

princípios

econométricos com aprendizado

de máquina, o FEWNet fornece

previsões precisas que auxiliam

bancos centrais na tomada de

decisões informadas.

Mas a previsão não se limita

apenas à economia—ela também

é essencial para a saúde pública.

A

modelagem

de

epidemias,

conhecida como "epicasting",

utiliza ferramentas de ciência de

dados para prever a propa-

gação

de

doenças

como

dengue e gripe. Nossa equipe

desenvolveu um software que

incorpora características-chave

das

doenças

para

fornecer

previsões confiáveis, permitindo

intervenções

oportunas

nas

regiões afetadas. Essas ferra-

mentas demonstram a engen-

hosidade da engenharia na

solução

de

desafios

diver-

sos—desde a estabilização de

economias até a salvaguarda

de vidas humanas.

Estudo de caso 3: IA Generativa

para cidades sustentáveis

A urbanização está se aceleran-

do, especialmente em países

em desenvolvimento, resultan-

do em desafios como conges-

tionamento, poluição e perda de

áreas verdes. Como podemos

projetar cidades que sejam não

apenas

funcionais,

mas

também

sustentáveis?

A

IA

generativa,

uma

ferramenta

avançada de engenharia, pode

auxiliar urbanistas a visualizar e

criar as cidades do futuro.

Em um projeto recente, alinhado

com o ODS 11: Cidades e Comu-

nidades Sustentáveis, combina-

mos

modelagem

estatística

com IA generativa para prever a

densidade da rede viária em

cidades indianas de pequeno e

médio

porte.

Esse

trabalho

responde a perguntas críticas,

como

“Como

serão

nossas

cidades no futuro? Como plane-

jar infraestrutura para atender à

crescente demanda?” Utilizando

indicadores espaciais e dados

de mobilidade humana, nosso

framework

fornece

insights

práticos para que urbanistas

projetem redes viárias eficientes

e sustentáveis. Essas técnicas

podem

ser

adaptadas

globalmente,

demonstrando

como soluções de engenharia

podem

enfrentar

desafios

urbanos em escala mundial.

Esses estudos de caso ilustram o

potencial

transformador

da

engenharia de ciência de dados.

De

aplicativos

de

saúde

a

previsão econômica e planeja-

mento urbano, essas soluções

demonstram como dados brutos

podem se tornar ferramentas

impactantes.

No

entanto,

o

sucesso

exige

colaboração.

Parcerias com formuladores de

políticas, instituições internacio-

nais e centros de pesquisa, como

a Universidade Sorbonne Abu

Dhabi,

garantem

que

essas

ferramentas sejam não apenas

inovadoras, mas também práti-

cas e escaláveis.

Pensando

no

futuro,

nossa

pesquisa em andamento está

focada na ação climática e no

monitoramento da qualidade do

ar, abordando o ODS 13: Ação

Contra a Mudança Global do

Clima. Por exemplo, estamos

desenvolvendo

modelos

de

aprendizado

profundo

geométrico para prever níveis de

poluição do ar em cidades como

Delhi e Pequim. Essas ferramen-

tas, combinadas com princípios

de engenharia, podem ajudar a

mitigar os efeitos do “smog” e

criar ambientes urbanos mais

saudáveis.

Alcançar os ODS é uma tarefa

monumental, mas com soluções

inovadoras baseadas em dados,

esforços colaborativos e um

compromisso com a sustentabi-

lidade, o futuro é promissor. A

engenharia de ciência de dados

é mais do que uma área de estu-

do—é uma ponte que conecta os

desafios de hoje às soluções de

amanhã.

Como podemos projetar cidades

que sejam não apenas funcionais,

mas também sustentáveis? A IA

generativa, uma ferramenta de

engenharia de ponta, pode ajudar

urbanistas a visualizar e criar as

cidades do futuro.

12 | Edição Especial

13

Edição Especial |

Perspectivas Acadêmicas

Ensinando uma turma de

Engenharia com um chatbot

como assistente de ensino

Professora Derin Ural

Professora de Prática, Departamento de Engenharia Civil e Arquitetônica,

Faculdade de Engenharia, Universidade de Miami, Flórida, EUA

14

| Edição Especial

Revolucionando as abordagens -pedagógicas

por meio da Inteligência Artificial

Como membro do corpo docente de Engenharia

que se adaptou às pedagogias centradas no

aluno, incluindo aprendizagem invertida e ativa,

ao longo de minha carreira de três décadas, fiquei

curiosa para testar o uso de um chatbot de

Inteligência

Artificial

(IA)

para

aprimorar

a

experiência de aprendizado dos meus alunos.

Percebi que a integração da IA em ambientes

educacionais

está

promovendo

mudanças

profundas na forma como estudantes com difer-

entes perfis interagem com o conteúdo do curso e

se envolvem de forma mais eficaz no processo de

aprendizagem. Com a capacidade de criar chat-

bots específicos para cursos e tópicos, a IA está

sendo cada vez mais empregada para proporcio-

nar experiências de aprendizado personalizadas

para os alunos. Este artigo explora a implemen-

tação de um chatbot como assistente de ensino

em um curso de Engenharia na Faculdade de

Engenharia da Universidade de Miami (UM). Ao

analisar sua capacidade de esclarecer conceitos

complexos, responder às perguntas dos alunos a

qualquer hora do dia e aumentar o engajamento,

este projeto piloto contribui para o crescente

debate sobre o papel da IA no ensino superior. Os

resultados, confirmados tanto pelo feedback dos

alunos quanto por pesquisas acadêmicas, ressal-

tam seu potencial transformador.

Chatbots de IA: Uma mudança de paradigma na

educação

A implementação de chatbots de IA representa

uma mudança significativa nas metodologias de

apoio educacional, impulsionada pelo comprom-

isso de melhorar a aprendizagem dos alunos por

meio da inovação tecnológica. Como membro do

corpo docente de Engenharia, vejo um uso funda-

mental dos chatbots para elaborar e explicar

conceitos, e não necessariamente para resolver

problemas. Minha decisão de testar um chatbot

Special Edition | 01

foi baseada em pesquisas, como as conduzidas

pela Tyton Partners, que destacam o potencial da

IA para aumentar o engajamento acadêmico.

Paralelamente, insights do Youth Today evidenci-

am a crescente dependência dos alunos por

soluções baseadas em IA para suas necessi-

dades acadêmicas e informativas. Como enfa-

tizado pelo The Chronicle of Higher Education,

preparar

educadores

com

as

habilidades

necessárias para implementar ferramentas de IA

de maneira eficaz é essencial para o sucesso

sustentável das gerações de alunos que depend-

em de soluções baseadas em IA. Participando de

workshops de desenvolvimento profissional na

UM, pude criar, testar e implementar chatbots em

minhas aulas de engenharia neste ano. Dentro da

educação em engenharia, onde dominar concei-

tos teóricos e práticos complexos é fundamental,

encontrei nos chatbots uma maneira adaptativa,

envolvente e, mais importante, acessível de

responder às dúvidas dos alunos sobre o conteú-

do do curso. Ter alunos tradicionais e não tradi-

cionais na mesma turma também mostrou que

ambos os grupos se beneficiaram do chatbot,

com os alunos que trabalhavam em tempo

integral tirando maior proveito. O chatbot se

mostrou uma alternativa eficaz aos horários de

atendimento dos professores, especialmente

para os alunos com trabalho em tempo integral.

Desenvolvendo e implementando a iniciativa do

chatbot

O chatbot “Kay” utilizado no meu curso foi meticu-

losamente configurado para alinhar-se aos

tópicos do curso e aos objetivos de aprendizagem

definidos no plano de ensino. O nome "Kay" foi

15

“A implementação de

chatbots de IA representa

uma mudança significativa

nas metodologias de apoio

educacional, impulsionada

pelo compromisso de

aprimorar o aprendizado dos

alunos por meio da inovação

tecnológica.”

Edição Especial |

baseado em um líder de pensamento nessa

área, com quem os alunos puderam se encon-

trar em uma sessão durante o semestre. As

funcionalidades

do

chatbot

Kay

incluíam

responder a perguntas técnicas, resumir o

conteúdo do curso, comparar modelos, fornecer

exemplos de melhores práticas de engenharia e

utilizar informações de interações anteriores

para personalizar o suporte. Do ponto de vista

instrucional, alinhar as respostas do chatbot aos

objetivos do curso exigiu um investimento

significativo inicial em design de prompts e

personalização, por meio de perguntas e

respostas iterativas, instruindo o chatbot a com-

partilhar suas referências. Após um período de

testes, o chatbot estava pronto para ser pilotea-

do com meus alunos. Ao ver um link para o chat-

bot no plano de ensino, os alunos ficaram

surpresos e intrigados, pois foram apresentados

ao chatbot como uma ferramenta suplementar,

posicionada para complementar - e não substi-

tuir - os métodos diretos de ensino.

As principais capacidades do chatbot específico

do curso incluíam:

Articular explicações detalhadas dos princí-

pios de engenharia.

Oferecer resumos concisos dos pontos

principais dos tópicos.

Fornecer respostas em tempo real para

dúvidas conceituais fora do horário das

aulas,

que

foi

a

característica

mais

impactante.

Os alunos foram incentivados a utilizar o chatbot

de forma consistente por meio de tarefas que

exigiam que eles trabalhassem inicialmente

sem acesso a ele, e, em seguida, comparassem

suas descobertas com o resumo fornecido ao

interagir com o chatbot. Eles puderam, então,

fornecer feedback para avaliar a eficácia da

ferramenta. No início do semestre, os alunos

interagiam com o Kay fazendo uma ou duas

perguntas, em conversas curtas. À medida que

o semestre avançava, suas conversas começaram

a fluir naturalmente, com sete a nove perguntas

sobre diversos tópicos do curso.

Percepções empíricas a partir do feedback dos

alunos

Uma pesquisa estruturada realizada ao final do

semestre com todos os alunos revelou tendências

interessantes:

Aumento da Eficácia no Aprendizado: 67% dos

participantes concordaram totalmente e 33%

concordaram que o chatbot facilitou uma com-

preensão mais profunda do material complexo e

fortaleceu sua experiência de aprendizado

como um todo. Eles gostaram de interagir com o

chatbot.

Confiança Acadêmica: 67% dos participantes

concordaram totalmente e 33% concordaram

que o chatbot influenciou positivamente seu

desenvolvimento como estudantes mais capaz-

es e confiantes. O chatbot foi treinado para ter

uma mentalidade de crescimento e um tom

educado, o que foi bem recebido pelos alunos.

Endosso

Universal:

100%

dos

entrevistados

defenderam a continuidade da integração de

chatbots em futuras edições do curso.

O feedback qualitativo dos alunos ilustrou ainda

mais o impacto do chatbot e seu potencial para

futuras turmas:

“Foi muito útil... Eu sempre me esquecia de algu-

mas informações e o chatbot conseguia recu-

perar essas informações de sessões anteriores. É

uma ferramenta que pode realmente ser benéfi-

ca para os alunos, não para trapacear ou fazer

as tarefas por eles, mas para ajudá-los com

partes que eles podem não entender.”

“Como mãe solteira que trabalha em tempo

integral, o chatbot me permitiu continuar minha

educação... Eu estava ficando para trás nas

tarefas e pensei em desistir das disciplinas. As

interações com o chatbot, mesmo em horários

tardios, foram essenciais para o meu sucesso.

Todas as aulas deveriam ter um chatbot como

assistente de ensino!”

Essas reflexões ressaltam o papel do chatbot de IA

em fornecer suporte acadêmico direcionado e

individualizado para as diferentes necessidades dos

alunos.

Benefícios da integração de IA na educação em

Engenharia

As contribuições do chatbot foram além de atender

às necessidades acadêmicas imediatas, proporcio-

nando vantagens pedagógicas mais amplas:

“67% dos participantes

concordaram totalmente e

33% concordaram que o

chatbot facilitou uma

compreensão mais profunda

do material complexo e

fortaleceu sua experiência de

aprendizado como um todo.”

16 | Edição Especial

Special Edition | 23

Acessibilidade Ininterrupta: Sua disponibilidade

24 horas por dia, sete dias por semana, permitiu

que os alunos buscassem esclarecimentos e

reforço de tópicos, independentemente do

horário e da localização.

Aprendizado Personalizado: Aproveitando os

dados de interação, o chatbot ofereceu orien-

tações detalhadas adaptadas às trajetórias de

aprendizado individuais. Por ter participado do

desenvolvimento do chatbot, a possibilidade de

ver anonimamente as perguntas feitas pelos

alunos permitiu reforçar tópicos durante as

aulas.

Eficiência nas Aulas: Ao abordar perguntas

frequentes, o chatbot permitiu que os docentes

dedicassem mais tempo a discussões avança-

das e mentoria.

Vislumbrando o futuro da aprendizagem poten-

cializada pela IA

A

implementação

de

um

chatbot

como

assistente de ensino em um curso de engenhar-

ia proporcionou percepções inesperadas e

valiosas sobre o potencial da IA para comple-

mentar as abordagens pedagógicas tradicion-

ais. Embora não substitua a profundidade do

ensino humano, o chatbot se mostrou um com-

plemento indispensável, aprimorando a acessi-

bilidade, o engajamento e a eficiência. O feed-

back dos alunos, assim como a experiência dos

docentes neste piloto, atesta a promessa dos

chatbots de IA como uma ferramenta transfor-

madora na educação. À medida que as tecno-

logias

de

IA

continuam

a

avançar,

sua

integração em ambientes acadêmicos na

educação em engenharia e além oferece uma

via atraente para redefinir os contornos do

ensino e da aprendizagem no século XXI.

Como mãe solteira que trabalha

em tempo integral, o chatbot me

permitiu continuar minha

educação... Eu estava ficando

para trás nas tarefas e pensei em

desistir das disciplinas. As

interações com o chatbot, mesmo

em horários tardios, foram

essenciais para o meu sucesso.

Todas as aulas deveriam ter um

chatbot como assistente de

ensino!

17

Edição Especial |

Destaque de Liderança

Adotando Soluções Baseadas

em IA na Universidade

Americana de Ras Al

Khaimah (AURAK):

Professor Khalid, é uma grande

alegria recebê-lo no estimado

grupo de líderes do ensino

superior apresentados na UniN-

ewsletter. Estamos animados

para ouvir suas opiniões exclu-

sivas sobre o que promete ser

uma

edição

especial

impactante sobre Engenharia e

IA Generativa. Poderia compar-

tilhar com nossos leitores um

pouco

sobre

sua

trajetória

acadêmica

e

de

liderança?

Especificamente,

como

suas

experiências culminaram em

seu ingresso na AURAK como

Reitor da Escola de Engenharia e

Computação?

Minha trajetória na academia se

estende por mais de três déca-

das, período no qual tive o

privilégio de ocupar posições de

liderança

cada

vez

mais

elevadas em diversas institu-

ições de ensino superior. Ao

longo da minha carreira,

desempenhei diversas funções,

incluindo

Reitor,

Diretor

de

Escola, Pró-reitor, e Chefe de

Departamento,

o

que

me

permitiu desenvolver uma com-

preensão abrangente tanto da

liderança

acadêmica

quanto

das complexidades do cresci-

mento institucional.

Antes de ingressar na carreira

acadêmica,

trabalhei

como

engenheiro

de

refinamento

automotivo na Motor Industry

Research Association (MIRA), no

Reino Unido, experiência que me

proporcionou valiosos insights

do setor e influenciou significati-

vamente

meu

trabalho

acadêmico. Iniciei minha jorna-

da acadêmica na Universidade

de Bradford, no Reino Unido, em

1994, onde passei mais de 20

anos contribuindo para o ensino

e a pesquisa em engenharia,

chegando a atuar como Reitor

da Escola de Engenharia por três

Uma Entrevista com o Professor

Khalid Hussain, Reitor de Engenharia e Computação

18 | Edição Especial

Professor Khalid Hussain

Reitor de Engenharia e Computação

Universidade Americana de Ras Al Khaimah (AURAK)

19

Edição Especial |

anos.

Em 2016, fui para a Universidade

de

Wollongong

em

Dubai

(UOWD) como Reitor de Engen-

haria e Ciências da Informação,

cargo que ocupei até 2022.

Minha mudança para a AURAK

para assumir o cargo de Reitor

da Escola de Engenharia e Com-

putação (SOEC) foi motivada

pela minha paixão por promover

a educação em engenharia e

computação, incentivar a

inovação e aprimorar os resulta-

dos

acadêmicos

dos

estudantes. Nesta função, tive o

privilégio de aplicar minha vasta

experiência

em

liderança

acadêmica

para

orientar

a

universidade em um período de

crescimento

significativo

e

aumento da visibilidade, com

um foco especial na competitiv-

idade global e no impacto

social.

A AURAK é reconhecida por seu

compromisso com o avanço da

Na AURAK,

reconhecemos

que a engenharia

e a computação

são fundamentais

para enfrentar

alguns dos

desafios mais

urgentes da

sociedade.

20 | Edição Especial